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Artistas nacionais salvam a noite do Metal All Stars em São Paulo

Julio Feriato

23/11/2014 19h36

Fotos: Edi Fortini

Zakk Wylde foi a principal atração do Metal All Stars

Zakk Wylde foi atração principal no Metal All Stars

A ideia de juntar várias celebridades do metal internacional em um mesmo show não é ruim. Mas tudo isso vai por água abaixo quando essas mesmas celebridades fazem tudo nas coxas, sem respeito algum pelos fãs que tiveram a coragem de pagar para presenciar tal cretinice. Afinal, basta subir ao palco, tocar e cantar duas ou três músicas, e o seu já está garantido. Pois foi exatamente essa impressão que tive ao presenciar esse Metal All Stars na noite de ontem (22) no Espaço das Américas, em São Paulo: uma verdadeira reunião de músicos que em momento algum estavam realmente comprometidos com aqueles que realmente importavam: os fãs.

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Tudo já começou a dar errado alguns dias antes do evento. Boatos nas Redes Sociais davam entender que alguns artistas cancelariam sua participação. Dito e feito. Um dia antes do show, a produtora confirmou que quatro não viriam: Chuck Billy (Testament), Joey Belladonna (Anthrax), Cronos (Venom) e Gus G (Ozzy Osbourne). Ou seja, justamente a galera mais esperada não iria comparecer. Mas tudo bem, ainda teríamos Zakk Wylde (Black Label Society, ex-Ozzy Osbourne), Max Cavalera (Cavalera Conspiracy, Soulfly), David Ellefson (Megadeth), Geoff Tate (ex-Queensrÿche), Blasko (Ozzy Osbourne), Kobra Paige (Kobra and the Lotus), Vinny Appice (ex-Black Sabbath e Dio), James LaBrie (Dream Theater), Ross the Boss (ex-Manowar). Não está faltando mais alguém? Sim. O baterista Carmine Appice fora anunciado como um dos que participariam da festa, mas nem deu as caras por lá.

Para suprir o desfalque, restou convidar músicos brasileiros para ir lá dar uma força. E foi exatamente esse pessoal que salvou o evento. Entre eles, Baffo Neto (Capadocia), Rodrigo Oliveira (Korzus), Bill Hudson (Jon Oliva’s Pain), Rodrigo Simão (Dr. Sin), Kiko Loureiro (Angra) e Felipe Andreoli (Angra).

Fora todo esse amontoado de problemas, outro fato relevante também não ajudou para que o Metal All Stars fosse lembrado com mais carinho: o horário. Todos sabem que metrô em São Paulo funciona até 1h00m aos sábados. Porém, as primeiras bandas começaram a tocar às 21h30! Ou seja, seriam três bandas de abertura, com cerca de 45min cada, e só depois as atrações principais. Se você tem carro ou dinheiro para pagar um táxi na hora de ir embora, tudo bem. Mas e quem depende de metrô, como fica? Detalhezinhos “insignificantes” que devem ser levados em conta pela produtora na hora de organizar um evento como esse. Afinal de contas, nem o “Monsters of Rock” acabou tão tarde na sua última edição.

Marcello Pompeu (Korzus)

Marcello Pompeu (Korzus)

Entre as bandas de abertura estava o Capadocia, de Santo André-SP, formada por ex-integrantes do Retturn, e talvez por ser desconhecida pela maioria, só conseguiu animar o público ao tocar covers do Metallica e do Slayer, mesmo tendo ótimas composições autorais. Em seguida veio o Project 46, e a coisa foi diferente. Eles já gozam de certo prestígio na cena paulista e sua apresentação teria sido perfeita se não fosse o som estourado das guitarras, que ora estavam muito altas, ora praticamente sumiam. O Korzus também participou para lançar “Legion”, seu novo álbum de estúdio. Infelizmente, a banda teve que mudar seu set list de última hora, pois o baixista Dick Siebert sofrera um acidente alguns dias antes e foi obrigado a fazer uma cirurgia no braço direito. Por conta disso, a banda teve que às pressas convocar Soldado, ex-integrante que tocou guitarra no álbum KZS (1995) e se concentrar nas músicas mais antigas. Do novo álbum tocaram apenas “Lifeline”, que abriu o show, “Bleeding Pride”, e a faixa-título, que, por sinal, é uma das melhores composições da carreira do grupo.

Kobra Paige

Kobra Paige

Cerca de vinte minutos após as ótimas apresentações das bandas nacionais, a cortina se abriu e lá no palco estavam David Ellefson, Ross the Boss e Rodrigo Oliveira (Korzus) capitaneados pela cantora Kobra Paige, vocalista da banda canadense Kobra and the Lotus. Paige não é tão conhecida por aqui e talvez seja por isso que a plateia não se empolgou tanto com ela, mesmo quando começaram a tocar “Kings of Metal” do Manowar. Tudo bem que as presenças de Ellefson e Ross the Boss já garantiriam a animação, porém o público estava nitidamente cansado e preferiu assistir tudo sem muito agito. Tocaram ainda “Fear of the Dark” do Iron Maiden, e outra do Manowar, “Hail and Kill”. Logo em seguida, Ellefson perguntou se todos gostariam de ouvir alguma do Megadeth. A resposta não poderia ser outra, e o guitarrista Bill Hudson se junta aos músicos para tocar “Symphony of Destruction”, que simplesmente não combina com a voz de Paige. E, por mais que os músicos tenham se esforçado, estava na cara que tudo ali foi muito mal ensaiado.

Geoff Tate

Geoff Tate

Mas perto da galera que veio em seguida, essa primeira parte do show até que foi boa. Estou falando de Vinny Apice, Geoff Tate, e alegria de muitos, Kiko Loureiro do Angra. Só que até essa trupe de classe foi protagonista de alguns momentos vergonhosos. Ao começar com Tate errando a entrada e letra de “Neon Knights” do Black Sabbath – que ele até já tinha gravado com o Queensrÿche em “Take Cover” (2007) –, deixando-o nitidamente sem graça. Kiko também não escapou. Errou em vários momentos e parecia estar mais preocupado em exibir-se para as câmeras do que em tocar, principalmente em “Jet City Woman”, do Queensrÿche, na qual Kobra Paige se juntou para acompanhar Tate.

James LaBrie

James LaBrie

James LaBrie, vocalista do Dream Theater, liderou o set seguinte, que também contou com Baffo Neto (Capadocia), Felipe Andreoli (Angra), Vinny Appice e Rodrigo Simão (tecladista do Dr. Sin). Tocaram “I Got You”, música de sua carreira solo (do álbum “Impermanent Resonance”). Em seguida, Rodrigo Oliveira do Korzus e Bill Hudson voltaram para executar “Pull Me Under”, do Dream Theater. Uma coisa que era impossível não notar foi na maneira aguda (no mal sentido) que LaBrie cantava. Seu mau humor também era evidente e piorou quando anunciou Max Cavalera como a próxima atração, ficando na maior saia justa porque Max simplesmente não entrou no palco. Foi até hilário ver a cara de LaBrie olhando para o lado procurando pelo músico e para a plateia, parecia estar se perguntado “cadê esse fdp?”

Max Cavalera

Max Cavalera

Por fim, Max Cavalera, fundador do Sepultura e atualmente nas bandas Soulfly e Cavalera Conspiracy, apareceu e foi o músico mais bem recebido por todos. E fez por merecer, pois seu set foi o único que realmente levantou a plateia. Acompanhado por Rodrigo Oliveira, Baffo Neto, David Ellefson e Ross the Boss, tocou “Roots”, clássico blaster do Sepultura, “Eye for an Eye” do Soulfly, e fechou com “Ace of Spades” do Motörhead.

Zakk Wylde encerra a noite do Metal All Stars

Zakk Wylde encerra a noite do Metal All Stars

Após a ótima apresentação de Max, as cortinas se fecharam e levou quase meia hora para começar o set com Zakk Wylde, Blasko e Vinny Appice. Interessante avaliar que, enquanto nas atrações anteriores o som estava ruim e estourado, com o trio a coisa foi completamente diferente. Tudo estava nítido e redondo, quase perfeito. Deu até pra imaginar que naquela meia horinha de intervalo Zakk simplesmente chegou e falou “ok, todo mundo festou e fez o diabo, mas vazem por que o lance agora é sério!” E foi. O trio foi impecável ao executar clássicos do Black Sabbath como “Into the Void”, “Fairies Wear Boots”, “N.I.B.”, “Snowblind” e “War Pigs”. Porém, o que poderia ter sido o melhor momento da noite se transformou no set mais cansativo simplesmente porque Zakk insistia em fritar aquela guitarra com solos intermináveis em todas as músicas executadas! Tudo bem, o cara é um ótimo guitarrista e compositor, mas precisa se exibir tanto? Tal fritação deixou tudo muito chato, repetitivo a ponto de não ver a hora de acabar.

E assim foi, quase às quatro da madrugada, que finalmente o Metal All Stars encerrou-se: após “War Pigs”, o trio largou seus instrumentos e saíram do palco. Não teve um final apoteótico com todos os artistas que se apresentaram (como pensávamos que haveria), nem nada disso.

Tinha tudo para ter sido um evento que ficaria guardado como algo inesquecível na memória dos presentes. Mas não foi desta vez.

Confira o álbum de fotos completo

Sobre os Autores

Julio Feriato: Formado em Letras, sempre almejou ser jornalista especializado em música. Para suprir tal anseio, editou nos anos 90 o fanzine “Shadows” e foi um dos principais colaboradores do site “Metal Attack” em meados dos anos 2000.

Maurício Gaia Fernanda Lira: Começou ouvir heavy metal por influência de seus pais e cursou Jornalismo na Faculdade Cásper Libero, em São Paulo. Além do Heavy Nation, Fernanda também é baixista e vocalista da banda thrash metal Nervosa.

Sobre o Blog

Heavy Nation é um programa da Rádio UOL especializado em heavy metal. O programa nasceu da necessidade de divulgar bandas independentes, que não encontram espaço na grande mídia, e também traz clássicos do estilo. No blog Heavy Nation, você encontra matérias e entrevistas que não tem espaço no programa, mas que são chamativas tanto para os headbangers quanto ao público que não acompanha a cena atentamente.

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