Blog Heavy Nation

Show de King Diamond em São Paulo foi de 'dar dó' de quem não foi

Julio Feriato

27/06/2017 10h50

Por Julio Feriato / Fotos: Divulgação

Aviso: texto totalmente parcial com opiniões pessoais do autor

É irrelevante começar esta resenha dizendo o quanto a data de 25/06/2017 foi esperada pelos headbangers tupiniquins, pois o motivo era óbvio: King Diamond voltaria a tocar no país após 20 anos sem dar as caras por aqui, e, ao contrário daquele emblemático Monsters of Rock de 1996, onde se apresentou durante o dia num calor infernal, desta vez os fãs poderiam conferir toda pompa e produção de seu espetáculo. Para o leitor ter ideia da grandiosidade do evento, foi necessário o envio de um contêiner diretamente da Dinamarca ao Brasil somente para transportar toda a superprodução de palco. Ou seja, a noite era dele e o cara fez jus ao que prometera em várias entrevistas que deu à imprensa especializada meses antes.

E os fãs também não fizeram feio. Como muitos devem saber, o Espaço das Américas é uma casa de shows com capacidade para pelo menos 8 mil pessoas. Ou seja, o lugar é grande pra dedéu. Não sei dizer ao certo se o número de pagantes chegou perto disso, mas a casa simplesmente lotou. Confesso que não esperava essa enorme quantidade de pessoas para ver o ‘Rei Diamante’, mas se levarmos em consideração que na mesma noite tocaram Lamb of God, Carcass, Heaven Shall Burn e os brasileiros do Test (mais ao final irei falar sobre essas bandas), dá pra entender o porquê, afinal de contas, eram públicos distintos que foram ao evento e pelo jeito ficaram até o final.

Já passava das 22h quando as cortinas se abriram com a introdução “Out from the Asylum” e deu para ver todo o capricho da produção de palco, belíssima em todos os detalhes ao reproduzir a casa de “Abigail”, personagem que dá titulo ao disco homônimo de 1987, no qual a banda tocaria na íntegra.  

A clássica “Welcome Home” abriu oficialmente a apresentação e levou todos ao delírio quando o mestre King Diamond surgiu e a cantou perfeitamente! Aliás, este é outro detalhe que não deve passar despercebido. É realmente incrível o quanto o cara cantou bem! Simplesmente todos os falsetes e vocalizações das músicas foram reproduzidas por ele até nos mínimos detalhes, SEM playback e sem desafinar. Para um homem de 61 anos que sofreu vários problemas de saúde e tem três pontes de safena, isso é realmente notável.

Nesta primeira parte do show foram executados alguns clássicos como “Sleepless Nights“, “Halloween“, “Eye of the Witch“; e fechou com “Melissa” (simplesmente emocionante) e “Come to the Sabbath“, bastante ovacionada pelos presentes. Além de King, outra estrela dessa primeira parte do espetáculo foi a personagem “Grandma”, interpretada pela artista Jodi Cachia, que contracenou com o cantor em vários momentos.

Como esperado, a segunda parte do set foi dedicada ao disco “Abigail”, que completou 30 anos este ano. O destaque fica para as emblemáticas e mais conhecidas “A Mansion in Darkness” e “The Family Ghost“, cantadas em uníssono pelos fãs.

Sem sombra de dúvidas esta apresentação de King Diamond entrou no rol dos melhores shows de 2017 e não ficarei espantado se ficar em primeiro lugar nas paradas de melhores do ano que a imprensa curte publicar em dezembro. E não é a toa. Pelo menos para este que vos escreve, foi um espetáculo emocionante e não é exagero (ou talvez seja, mas não estou nem aí) parafrasear o que um colega jornalista me disse lá na hora: “este show é o ‘The Wall’ do Metal!”. Tal afirmação pode ser apenas questão de opinião pessoal, mas sinceramente sinto muito por quem não presenciou tudo aquilo de perto, coitados.

Conforme eu mencionei lá no começo, antes do mestre nos brindar com seu show estonteante, a plateia pode conferir as bandas Lamb Of God, Carcass, Heaven Shall Burn e os paulistas do Test. Esta ultima é praticamente presença carimbada nos eventos da produtora Liberation e também muito conhecida da galera Metal de São Paulo. A dupla João Kombi (guitarra/vocal) e Barata (bateria) são figuras carismáticas e mesmo quem não curte o som dos caras os respeita por todo histórico em prol da música underground.

Os alemães Heaven Shall Burn tocaram em seguida e provaram serem dignos de estar ali. Digo isso devido a ótima performance que tiveram e também devido ao mimimi gerado pelos bangers mais puristas ao ser divulgado que o grupo seria uma das atrações – reação negativa totalmente desnecessária por ser considerado um dos representantes do Metalcore europeu. Tal rótulo pode ser até justificável quando surgiram no inicio dos anos 2000, mas atualmente o som do Heaven Shall Burn está mais para Death Metal melódico do que para qualquer outra coisa. As influências de In Flames antigo e outras bandas suecas nos riffs de guitarra são latentes e dá pra ver que eles beberam bastante dessa fonte ao compor os últimos discos. 

Carcass foi a mais ovacionada entre as atrações que tocaram antes da principal. Sua apresentação impecável, com direito aos principais clássicos como “Incarnated Solvent Abuse“, “No Love Lost“, “This Mortal Coil“, “Corporal Jigsore Quandary” e “Heartwork“. Som estava perfeito e o público respondeu à altura. O mesmo aconteceu com o Lamb Of God, talvez uma das bandas mais bem sucedidas dessa nova geração. Eu não sou grande fã deles, portanto não dei tanta atenção ao show, mas sei reconhecer quando uma banda é boa ao vivo. E e eles são.

 

Sobre os Autores

Julio Feriato: Formado em Letras, sempre almejou ser jornalista especializado em música. Para suprir tal anseio, editou nos anos 90 o fanzine “Shadows” e foi um dos principais colaboradores do site “Metal Attack” em meados dos anos 2000.

Maurício Gaia Fernanda Lira: Começou ouvir heavy metal por influência de seus pais e cursou Jornalismo na Faculdade Cásper Libero, em São Paulo. Além do Heavy Nation, Fernanda também é baixista e vocalista da banda thrash metal Nervosa.

Sobre o Blog

Heavy Nation é um programa da Rádio UOL especializado em heavy metal. O programa nasceu da necessidade de divulgar bandas independentes, que não encontram espaço na grande mídia, e também traz clássicos do estilo. No blog Heavy Nation, você encontra matérias e entrevistas que não tem espaço no programa, mas que são chamativas tanto para os headbangers quanto ao público que não acompanha a cena atentamente.

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