Heavy Nation http://heavynation.blogosfera.uol.com.br Heavy Nation é um programa da Rádio UOL especializado em heavy metal. Tue, 27 Jun 2017 23:16:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Show de King Diamond em São Paulo foi de ‘dar dó’ de quem não foi http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/06/27/show-de-king-diamond-em-sao-paulo-foi-de-dar-do-para-quem-nao-foi/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/06/27/show-de-king-diamond-em-sao-paulo-foi-de-dar-do-para-quem-nao-foi/#respond Tue, 27 Jun 2017 13:50:46 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1145 Por Julio Feriato / Fotos: Divulgação

Aviso: texto totalmente parcial com opiniões pessoais do autor

É irrelevante começar esta resenha dizendo o quanto a data de 25/06/2017 foi esperada pelos headbangers tupiniquins, pois o motivo era óbvio: King Diamond voltaria a tocar no país após 20 anos sem dar as caras por aqui, e, ao contrário daquele emblemático Monsters of Rock de 1996, onde se apresentou durante o dia num calor infernal, desta vez os fãs poderiam conferir toda pompa e produção de seu espetáculo. Para o leitor ter ideia da grandiosidade do evento, foi necessário o envio de um contêiner diretamente da Dinamarca ao Brasil somente para transportar toda a superprodução de palco. Ou seja, a noite era dele e o cara fez jus ao que prometera em várias entrevistas que deu à imprensa especializada meses antes.

E os fãs também não fizeram feio. Como muitos devem saber, o Espaço das Américas é uma casa de shows com capacidade para pelo menos 8 mil pessoas. Ou seja, o lugar é grande pra dedéu. Não sei dizer ao certo se o número de pagantes chegou perto disso, mas a casa simplesmente lotou. Confesso que não esperava essa enorme quantidade de pessoas para ver o ‘Rei Diamante’, mas se levarmos em consideração que na mesma noite tocaram Lamb of God, Carcass, Heaven Shall Burn e os brasileiros do Test (mais ao final irei falar sobre essas bandas), dá pra entender o porquê, afinal de contas, eram públicos distintos que foram ao evento e pelo jeito ficaram até o final.

Já passava das 22h quando as cortinas se abriram com a introdução “Out from the Asylum” e deu para ver todo o capricho da produção de palco, belíssima em todos os detalhes ao reproduzir a casa de “Abigail”, personagem que dá titulo ao disco homônimo de 1987, no qual a banda tocaria na íntegra.  

A clássica “Welcome Home” abriu oficialmente a apresentação e levou todos ao delírio quando o mestre King Diamond surgiu e a cantou perfeitamente! Aliás, este é outro detalhe que não deve passar despercebido. É realmente incrível o quanto o cara cantou bem! Simplesmente todos os falsetes e vocalizações das músicas foram reproduzidas por ele até nos mínimos detalhes, SEM playback e sem desafinar. Para um homem de 61 anos que sofreu vários problemas de saúde e tem três pontes de safena, isso é realmente notável.

Nesta primeira parte do show foram executados alguns clássicos como “Sleepless Nights“, “Halloween“, “Eye of the Witch“; e fechou com “Melissa” (simplesmente emocionante) e “Come to the Sabbath“, bastante ovacionada pelos presentes. Além de King, outra estrela dessa primeira parte do espetáculo foi a personagem “Grandma”, interpretada pela artista Jodi Cachia, que contracenou com o cantor em vários momentos.

Como esperado, a segunda parte do set foi dedicada ao disco “Abigail”, que completou 30 anos este ano. O destaque fica para as emblemáticas e mais conhecidas “A Mansion in Darkness” e “The Family Ghost“, cantadas em uníssono pelos fãs.

Sem sombra de dúvidas esta apresentação de King Diamond entrou no rol dos melhores shows de 2017 e não ficarei espantado se ficar em primeiro lugar nas paradas de melhores do ano que a imprensa curte publicar em dezembro. E não é a toa. Pelo menos para este que vos escreve, foi um espetáculo emocionante e não é exagero (ou talvez seja, mas não estou nem aí) parafrasear o que um colega jornalista me disse lá na hora: “este show é o ‘The Wall’ do Metal!”. Tal afirmação pode ser apenas questão de opinião pessoal, mas sinceramente sinto muito por quem não presenciou tudo aquilo de perto, coitados.

Conforme eu mencionei lá no começo, antes do mestre nos brindar com seu show estonteante, a plateia pode conferir as bandas Lamb Of God, Carcass, Heaven Shall Burn e os paulistas do Test. Esta ultima é praticamente presença carimbada nos eventos da produtora Liberation e também muito conhecida da galera Metal de São Paulo. A dupla João Kombi (guitarra/vocal) e Barata (bateria) são figuras carismáticas e mesmo quem não curte o som dos caras os respeita por todo histórico em prol da música underground.

Os alemães Heaven Shall Burn tocaram em seguida e provaram serem dignos de estar ali. Digo isso devido a ótima performance que tiveram e também devido ao mimimi gerado pelos bangers mais puristas ao ser divulgado que o grupo seria uma das atrações – reação negativa totalmente desnecessária por ser considerado um dos representantes do Metalcore europeu. Tal rótulo pode ser até justificável quando surgiram no inicio dos anos 2000, mas atualmente o som do Heaven Shall Burn está mais para Death Metal melódico do que para qualquer outra coisa. As influências de In Flames antigo e outras bandas suecas nos riffs de guitarra são latentes e dá pra ver que eles beberam bastante dessa fonte ao compor os últimos discos. 

Carcass foi a mais ovacionada entre as atrações que tocaram antes da principal. Sua apresentação impecável, com direito aos principais clássicos como “Incarnated Solvent Abuse“, “No Love Lost“, “This Mortal Coil“, “Corporal Jigsore Quandary” e “Heartwork“. Som estava perfeito e o público respondeu à altura. O mesmo aconteceu com o Lamb Of God, talvez uma das bandas mais bem sucedidas dessa nova geração. Eu não sou grande fã deles, portanto não dei tanta atenção ao show, mas sei reconhecer quando uma banda é boa ao vivo. E e eles são.

 

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Maximus Festival em São Paulo tenta juntar públicos distintos e quase dá merda http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/maximus-festival-em-sao-paulo-tenta-juntar-publicos-distintos-e-quase-da-merda/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/maximus-festival-em-sao-paulo-tenta-juntar-publicos-distintos-e-quase-da-merda/#respond Fri, 26 May 2017 00:06:01 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1123 Por Daniel Pacheco / Fotos: Ricardo Ferreira (Revista Roadie Crew)
Agradecimentos: Caio Lima

O texto representa opinião do autor, não do Heavy Nation ou dos editores

O Maximus festival chegou à sua segunda edição e, assim como no ano passado, trouxe uma estrutura baseada nos grandes festivais europeus: três palcos, dois principais (Maximus e Rockatansky) e um secundário (Thunder Dome).

A decoração do evento se baseou no universo do filme Mad Max, mostrando nos portões de entrada barris de metal enferrujados empilhados em andaimes. Na parte superior, era possível ver o símbolo do festival e lanças-chamas que cuspiam fogo esporadicamente. Em frente aos palcos, fomos brindados com totens de demônios esculpidos em pedra, além de uma parede de escalada e um trono feito de peças de carro (e que acumulava uma fila gigante para fotos). A estrutura também ofereceu diversas opções de restaurantes e estandes de bebidas, todos cobrados a partir de uma moeda específica (MTL), que tinha uma taxa de conversão aproximada à do euro, e podia ser carregada diretamente do seu celular com um número de cartão de crédito cadastrado previamente.

Seria humanamente impossível assistir a todos as bandas do festival, pois o palco Thunder Dome receberia shows simultâneos aos dos palcos principais.

Ao entrar no Autódromo de Interlagos, já podíamos ouvir de longe os riffs brutais dos Hatebreed. Os americanos fizeram um show trazendo os maiores sucessos da sua carreira e, para os fãs, não havia nada de que reclamar. Logo na segunda música mandaram a videogaimistica “Destroy Everything”, que levantou uma nuvem de poeira acima da cabeça dos presentes. O vocalista Jamey Jasta, apesar da baixa estatura, tem uma presença de palco brutal, não parando nem por um segundo durante todos os trinta minutos do set. Fecharam com a emblemática “I Will be Heard” e deixaram o palco ovacionados pelo público.

O intervalo entre os shows dos palcos principais era algo quase inexistente, pois enquanto uma banda tocava a equipe da próxima já montava o seu show e preparava todo o palco para receber os músicos. Por isso, com pouco menos de dez minutos, subiam ao palco Maximus a banda alemã Bohse Onkelz, que faz um rock’n’roll cantado em alemão bastante influenciado pelo punk rock. Este show foi o primeiro a dividir o público do festival (porém não seria o último), pois a banda traz consigo um passado neo-nazista, tendo inclusive feito parte do selo Rock-O-Rama, um selo alemão especializado em música desse tipo. Houve alguns poucos fãs que se acumularam em frente ao palco, trajando camisetas de futebol personalizadas com o logo da banda (aparentemente, atualmente as letras da banda são focadas em torcidas organizadas, brigas e cerveja) e agitaram durante o set. O vocalista não trocou nenhuma palavra com o público, já o guitarrista se esforçou em alguns poucos intervalos, dizendo que era muito legal estar no Maximus, e que estava feliz de estar no Brasil.

É importante dizer que nesse show reparei que já havia pessoas trajando camisetas do Linkin Park (banda que fecharia o festival) plantadas na grade do palco, muitas delas sem comer e sem beber nada (guarde bem essa informação).

O som de sinos começa a soar no palco Rockatansky e quatro mascarados acompanhados de um papa descolado de corpse paint invadem o festival, era o Ghost. Há muitas controvérsias cercando a banda nos últimos tempos, pois chegou ao conhecimento do público que o músico Tobias Forge (Papa Emeritus) havia demitido todos os membros e os substituído por músicos contratados, porém isso não aparentou abalar as dezenas de pessoas com a cara pintada imitando a maquiagem do cara. O show é extremamente teatral e confesso que fiquei um pouco incomodado com a quantidade absurda de overdubs de vozes e instrumentos sintetizados. O set fora reduzido mas não deixou de fora músicas como “Ritual”, “Cirice”, ”Year Zero” e “Absolution”. Ao final desse show, dirigi-me para a área do palco Maximus e percebi que o número de fãs a ostentar a camiseta do Slayer havia aumentado consideravelmente.

Confesso que nunca fui um grande fã do trabalho musical de Rob Zombie, no entanto é impossível ficar parado durante uma apresentação desse cara. O cenário montado traz todo o lirismo à vida, com plataformas para cada músico e um pano de fundo com o clássico King Kong estampado em tamanho real; é como se você fosse transportado para dentro da mente doente de Zombie. O set viajou por toda a carreira do cara, desde o White Zombie (“More Human Than Human” e “Thunder Kiss ’65”) até as mais bacanas da sua carreira solo, abrindo com “Dead City Radio”, passando por “Living Dead Girl”, “Scum of the Earth” e “Well, Everybody’s Fucking in a U.F.O.” –  nesta última Zombie passou dois bonecos infláveis de alienígenas verdes para que o público os fizesse viajar até o fim da pista. O set foi encerrado com a música “Dragula” (famosa por figurar na trilha sonora do clássico filme Matrix).

Era hora de virar as cabeças para o Rockatansky e ver os Five Finger Death Punch. A princípio, a banda deveria tocar no mesmo horário do Slayer, mas devido à grande comoção do público junto à organização, os horários foram trocados para que todos conseguissem assistir aos dois shows. A banda tem muita energia ao vivo, e, durante o set, o vocalista Ivan L. Moody, chamou os fãs maquiados para subirem ao palco e cantarem junto à banda a música “Burn MF”, o que foi algo muito legal. A banda cultiva muito bem o laço que tem com seus fãs e acabou ganhando pontos pelo carisma e simpatia!

Meu amigo, se você leu essa resenha até aqui, é porque, assim como eu e muitos dos presentes, está interessado na performance dos reis absolutos do Thrash Metal, o Slayer, que segue divulgando seu último disco “Repentless”. Não tem como ser um repórter de metal imparcial quando falamos desses caras! O amor pela coisa fala muito mais alto ao ver essa lenda em carne e osso na sua frente. O público monstruoso da banda começa a empurrar rumo à frente do palco Maximus assim que as luzes do 5FDP se apagam. Lembram-se dos fãs do Linkin Park que estavam na grade durante todo o dia sem comer e beber nada? Pois então. A intro “Delusions Of Saviour” começa a soar e antes mesmo dos primeiros acordes de “Repentless” serem tocados, o massacre sem dó começa.

Não existia um lugar sequer na pista em que o mosh não reinava. Para o público thrash metal não há novidade nenhuma na situação, estamos habituados e de fato divertimo-nos com isso, mas os fãs de outros estilos que estavam por ali se assustaram. Alguns passaram mal com o calor e o empurra-empurra. Era possível ver adolescentes que estavam acompanhados das mães tentando correr desgovernados aos primeiros acordes, mas o fato é que não houve tempo de todos eles saírem e infelizmente houve alguns feridos. Não acho que a culpa seja da organização, afinal, ela  encaixou um terceiro show entre o Slayer e o Linkin Park, e todos sabemos que o público de uma banda não ficaria na pista para ver a outra.

Sem parar para respirar, emendaram o clássico da era Bostaph, “Disciple”. Confesso que prefiro o Lombardo na bateria dos caras, mas o Bostaph fez o seu trabalho muito bem, demonstrando uma técnica impecável em todas as viradas, e lá fomos nós através de “Postmortem” , “Hate Worldwide”, “War Ensemble”, “When the Stillness Comes”, “Mandatory Suicide” uma atrás da outra. É fato que Tom Araya já não se comunica muito com o público, até porque, mesmo quando ele tentava, sua voz era abafada pelo coro dos fãs clamando “SLAYER, SLAYER”,. Então, sem mais delongas, a maior surpresa da noite chegou: os caras mandaram “Fight to Death”, do clássico “Show no Mercy”, disco de estreia da banda. Não sobrou pedra sobre pedra na pista. Apesar de ainda ser estranho ver o Gary Holt segurando a posição que já foi de Jeff Hanneman, é preciso dizer que sua presença de palco era absoluta e muito mais digna de nota do que a de Arraya ou do Kerry King. Gary, sempre sorrindo e gritando as letras, trouxe uma vida nova para a banda, mas sem se esquecer do Exodus, que sempre está estampado em sua munhequeira direita. Para encerrar a apresentação, veio a já esperada “Angel of Death”, faixa que abre o canônico disco “Reign in Blood”. Fico feliz de ter visto o Slayer, mas o fato é que a idade chega para todos e, infelizmente nesse show, apesar da performance impecável, ficou claro de que não irá demorar para os caras pendurarem as guitarras.

Passada essa verdadeira tormenta, era difícil de imaginar que teríamos energia para mais alguma coisa, mas, sim, estávamos enganados, pois quando a intro “DJ Lord” começou a soar nos PAs do Rockatansky, uma multidão correu para frente do palco para apreciar a junção do Rage Against The Machine + Cypress Hill + Public Enemy. O Prophets Of Rage, que show fabuloso! De cara, os telões exibiam a bandeira da banda, com um homem erguendo o punho esquerdo e os dizerem “Power to the People”. Tom Morello e cia começaram com “Prophets of Rage”, faixa que dá nome à banda. É fato que o show foi dominado por músicas do RATM, mas elas ganharam vida nova nas vozes dos rappers Chuck D e B-Real, os quais, inclusive, no meio do show, fazem um medley monstruoso de suas carreiras com os sons: Hand on the Pump / Can’t Truss it / Insane in the Brain / Bring the Noise / I Ain’t Goin’ Out Like That / Welcome to the Terrordome / Jump Around, acompanhados apenas de DJ Lord. Do Rage rolaram as clássicas “Take the Power Back” , “Bombtrack”, “Testify”, “Bulls on Parade”, entre várias outras. Durante o cover do MC5 “Kick Out the Jams”, foram convidados os músicos do Rise Against (Tim Mcllrath e Zach Blair) para engrossarem a formação. Um show recheado de energia, discursos políticos e uma mensagem principal: recuperar o poder das mãos dos políticos e empresários, pois estes formam uma classe que visa somente ao lucro da sua exploração. Os caras deixaram o palco com a mais que popular “Killing in the name”.

Era hora dos headliners da noite, muita gente começou a ir embora, mas proporção de pessoas chegando ao festival neste horário parecia ser igual. Olhando de longe, era possível ver um mar de pessoas permeando as duas pistas à espera do Linkin Park e, após uma longa intro, “Fallout / Roads Untraveled”, os caras tomam finalmente o palco Maximus. O show dos caras é bem competente, apesar de roteirizado. As músicas são apresentadas com alta fidelidade às gravações. A banda, que ficou popular com o disco Hybrid Theory nos anos 2000, trouxe uma sequência de músicas que cobria toda a sua carreira, incluindo: “Somewhere I Belong”, ‘Good Goodbye”, “What I’ve Done”, “Numb”, “Papercut” entre muitas outras. A última música a ecoar dos PA’s nesta edição do Maximus foi “Bleed it Out” deixando um público extasiado com as apresentações presenciadas no dia.

Chegava ao final mais uma edição excelente do Maximus Festival. A organização do evento está definitivamente de parabéns, pois o padrão foi realmente de um nível excepcional, porém algumas críticas ainda são cabíveis. Os valores, tanto dos ingressos quanto da alimentação dentro do evento, encontraram-se  um pouco fora da realidade da maioria dos brasileiros e poderiam ser melhorados, pois com certeza haveria uma procura ainda maior que compensaria a diminuição da margem individual. Outro ponto que pode ser melhorado são as bandas nacionais. Os horários oferecidos às poucas delas no evento era pouco favorável. Temos um celeiro de bandas gigantesco no nosso país e muitas poderiam realmente mudar o rumo de suas carreiras ao tocar em um festival desse porte. Antes de uma grande banda como o Slayer, Rob Zombie ou mesmo o Linkin Park, mesmo que desconhecidas, o público com certeza não iria se importar, desde que os estilos fossem parecidos. Ficam aí  pequenas dicas para as próximas edições deste já excelente festival!

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King Diamond revela que próximo álbum será inspirado no clássico “Abigail” http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/03/17/king-diamond-revela-que-proximo-album-sera-inspirado-no-classico-abigail/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/03/17/king-diamond-revela-que-proximo-album-sera-inspirado-no-classico-abigail/#respond Fri, 17 Mar 2017 15:06:22 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1106

No dia 25 de junho acontecerá na capital paulista um  evento que celebra 25 anos de atividades da produtora Liberation, o Liberation Fest. As atrações provocaram algumas discussões nas redes sociais entre os mais radicais, mas não deixam de ser nomes fortes. Entre eles, Lamb of God, Heaven Shall Burn, Carcass, os paulistas do Test, e como atração principal, o lendário King Diamond.

Para falar sobre este show e algumas outras curiosidades, King nos concedeu uma exclusiva e você confere o resultado logo abaixo.

Por Daniel Pacheco

Vocês estão excursionando no momento tocando o álbum Abigail na íntegra. Como é revisitar essa obra todas as noites?
Sim, nós estamos fazendo três shows especiais esse ano e é o mesmo set que nós estivemos tocando desde novembro. Em 2015 também fizemos uma turnê pelos Estados Unidos com esse set e ano passado fizemos uma turnê pela Europa onde tocamos nos maiores festivais de lá. Essas duas turnês foram gravadas para um blu-ray que irá conter um show ao ar livre na Europa e outro fechado nos EUA. Preciso dizer que eu tive uma amostra grátis de como está ficando a edição final e é algo fora do comum! Há muitas coisas maravilhosas nesse blu-ray para serem vistas e ele deve sair ainda esse ano.

Quando isso estiver terminado, nós começaremos a escrever e a gravar o próximo disco do King Diamond. Como estamos tocando tanto o disco Abigail, há um sentimento de que estamos de volta a 1987, então esse próximo álbum promete ser o melhor que fizemos desde então! Além disso, eu não fumo há bastante tempo agora, além de caminhar 10 kms todos os dias, o que faz meu coração ficar cada vez mais forte, por conta de tudo isso eu sinto muita mais facilidade em cantar as músicas do Abigail hoje, do que em 1987.

Desde que li pela primeira vez o encarte de Abigail, eu notei que você insere o número nove de várias maneiras na história. Isso realmente acontece ou é somente uma observação sem sentido?
Não, você tem toda a razão! O nove é um número mágico, é usado muito no satanismo de LeVay. O nove é um círculo completo, é a vida, entende?

Na história eu digo que dezoito se tornarão nove, há também referência a ele no título de uma das músicas “The 7th Day of July 1777”, isso também é um nove, você só precisa olhar para isso de uma maneira especial. A idade da Miriam referência o nove porque ela tem dezoito anos logo 8+1 = 9. Quando você observa todos os números da data, o sétimo dia de julho de 1777 você terá cinco números 7, e um número 1,5×7=35, o resultado mais um é 36, 3+6, você terá mais uma vez o número 9. É um dos números que você sempre chegará ao final de um ciclo, até mesmo 666 também é uma extensão do nove, quando você o multiplica por alguma coisa. Acho que 666 vai dar algo como dezoito, então oito mais um, será nove de novo, ou seja é um número muito mágico e é por isso que ele está lá.

É verdade que a história veio até você em um sonho onde treze pessoas em capuzes se aproximavam e isso o inspirou a fazer os cavaleiros do disco?
Sim e não. Eu realmente sonhei isso, mas este foi utilizado em uma música do Mercyful Fate, a Nightmare. Houve esse sonho em que eu e meu irmão estávamos em um quarto e ao menos treze pessoas de um culto entraram nele, todos eles encapuzados e apontando para mim, eu então tentei gritar, mas eu não tinha voz, eles diziam para mim: “You’re only living on borrowed/Time from your life” (Você está vivendo apenas um tempo emprestado de sua vida.) e eu usei essa frase na letra da música.

Isso é algo velho, mas a inspiração para Abigail também veio de diversos sonhos que eu tive em uma noite em particular. Eu acordei em meio a uma tempestade – acho importante dizer que as tempestades na Dinamarca não são nada parecidas com as que temos aqui no Texas, lá as tempestades são realmente gostosas, algo muito bom de se ouvir para dormir e relaxar. Enfim, este sonho me acordou e não me atrevi a voltar a dormir, pois não queria perder aquelas memórias que estavam frescas na minha cabeça. Eu tomei um copo de café e então comecei a escrever tudo que eu conseguia lembrar, isso se transformou no Abigail.

Qual foi o sua experiência mais próximo com o sobrenatural?
Houveram muitas experiências que eu vivi com relação a bruxaria, fantasmas, assombrações… Coisas as quais eu não gostaria de comentar. O apartamento em que eu vivia era extremamente assombrado e aparentemente esse espírito me segue até hoje na casa em que moro. Eu quem construi esta casa, ninguém viveu aqui antes de mim e existem quatro pontos quentes aqui onde você pode medir e sentir as coisas. Algo diferente está aqui, meu gato algumas vezes se senta nesses lugares e fica olhando para o teto, rosnando, eu costumo até mesmo brincar com a minha mulher algumas vezes perguntando se ela pode ver esses fantasmas no nosso teto, ela fica toda assustada e me pergunta se estou falando sério e eu respondo, “ué, pode estar lá, nós só não podemos vê-los”. Eu sei que existem coisas aqui, é como se eu tivesse meu próprio fantasma de família particular (Family Ghost).

Existem boatos sobre o nome Melissa, da onde você realmente tirou esse nome?
Melissa era o nome de um crânio que eu ganhei. Eu não sei porque eu tive que dar um nome para ele, mas foi esse nome que eu dei. Ele tinha essa marca imensa na testa, bem profunda, onde ele tinha sofrido uma batida tão forte, que você podia ver onde ele havia quebrado e se regenerado! Obviamente a pessoa sobreviveu ao golpe e me peguei imaginando o que havia acontecido com essa pessoa, como ela levou essa porrada e o que aconteceu com ela depois? Então eu inventei algo para mim mesmo e coloquei na letra da música.

Depois de seus múltiplos infartos em 2010, você passou por uma cirurgia muito delicada no coração que o forçou a mudar uma série de hábitos. Muita gente desacreditou que você iria retornar com a mesma qualidade vocal de antes, mas você voltou ainda melhor!
Essa é a melhor época para se ver e ouvir o King Diamond, a banda é a melhor que poderíamos ter e o show é fantástico! Tudo será levado para São Paulo, todos os equipamentos e palco que foram usados nos EUA e na Europa, então vocês terão uma experiência totalmente inesquecível! Isso eu posso te garantir e é muito legal de se ver, as diferentes gerações de pessoas vindo aos shows. A última vez que estive no Brasil boa parte do público de metal de hoje não havia nascido, ou eram jovens demais para entrar em show de grande porte. Eu vejo isso na tour, o número de pessoas jovens aumentando e o público se renovando, todos eles terão a melhor versão de mim agora.

Existem muitas pessoas que o tem como referência na literatura de horror, mesmo você nunca tendo publicado um romance ou um conto. Você se vê escrevendo um romance?
Mas é claro que sim, aqui está outra coisa engraçada que envolve minha esposa: ela me enganou um dia, me mostrando dois capítulos de Abigail escritos em formato de romance e quando eu comecei a ler, era fantástico! Ela me disse que um dos meus fãs havia enviado isso a ela, então eu disse a pedi para localizar essa pessoa para que pudéssemos trabalhar juntos nisso afinal, eu sei todos os rumos que a história pode ou não tomar, o clima, todas as coisas que aconteceram na mansão, junto com um autor poderíamos desenvolver todo um romance.

Ao final ela confessou que ela mesma havia escrito aqueles capítulos e isso me deixou muito feliz! Com certeza está nos nossos planos escrevermos algo do tipo juntos. Acho que isso não aconteceu ainda somente pela minha falta de tempo, mas acho que vocês podem esperar algo assim vindo por aí nos próximos anos. Abigail, Conspiracy, Puppet Master, eu gostaria muito de fazê-los. Esse também é um meio de que alguém da indústria do cinema se interesse nessas histórias, eles não conseguem ignorar um livro de sucesso e isso seria grandioso.

Como fã de horror, não consigo me lembrar de ninguém antes do King Diamond a fazer um disco conceitual de horror.
Sim, outras bandas haviam feito discos conceituais antes, mas não discos de horror, isso é um dos fatores que tornam Abigail tão especial. Este tipo de música e esse estilo literário colocados juntos realmente criou algo único e provavelmente é por isso que o fez ser tão forte quando você o escuta pela primeira vez. Eu encontrei, logo antes de entrarmos em turnê nos EUA em 2015, uma cópia lacrada da primeira prensagem do Abigail, eu a abri e coloquei na vitrola, até hoje a produção desse disco é algo que me deixa feliz! O som é um absurdo, é assustador, mesmo com toda a tecnologia que temos hoje, farei de tudo para que o nosso próximo disco seja realmente fiel ao som e produção que tivemos com o Abigail, porque é incrível, estamos até trabalhando para relançar desse disco sem a remasterização que foi feita quando ele saiu em CD.

Quais são seus autores de horror preferidos e como eles influenciam na hora de compor um disco?
Bom, infelizmente eu não tenho tido tempo de ler um livro já há algum tempo. Mas vou te dar um exemplo prático sobre minha forma de compor. Veja o Puppet Master por exemplo, eu não lia livros naquela época, acho que por falta de tempo principalmente, esse disco foi inspirado simplesmente por eu estar na Hungria, e por ter visto as pessoas que fabricam fantoches de fato.

Nós estávamos lá em 1999 com o Mercyful Fate, fazendo uma turnê com o Metallica, e fomos tocar em Budapeste. Tivemos um domingo de folga e enquanto andávamos pela cidade, todas as lojas estavam fechadas, então nós fomos para uma parte mais velha de Budapeste e lá eles tem algumas vielas bem estreitas. De repente nos deparamos com uma área que estava cheia de marionetes, era bem mal iluminada, mas ainda assim você podia ver todas essas marionetes penduradas pelas paredes. Era algo bem sinistro, mesmo no meio do dia, então nós andamos um pouco mais até nos depararmos com uma espécie de entrada para um quintal dos fundos, onde ficava o Teatro Nacional de Fantoches, que diabos é isso? Quando eu penso em um teatro de fantoches, vem a minha cabeça duas pessoas em um barraquinha com os fantoches nas mãos. Mas esse era um teatro real, com fantoches do tamanho de pessoas! Quando eu voltei para o hotel naquela noite comecei a imaginar algo como um teatro onde um titereiro ficaria  em cima do teto, controlando esses marionetes gigantes e talvez alguns deles pudessem vir a vida através de bruxaria ou algo assim e a história se desenvolveu deste ponto.

Então é assim que nasce uma história do King Diamond, obviamente meu modo de pensar foi influenciado por meus autores favoritos de antigamente, poderia citar alguns como um autor inglês chamado James Herbert, ele me deu alguns pesadelos e definitivamente é o meu favorito, Stephen King, aliás quem não gosta dele? H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, eles são clássicos!

O que você pensa da influência que você exerceu nas bandas de black metal norueguesas? Você vê essa influência como algo real?
Sim, eu vejo isso e me sinto honrado. Pessoalmente fui muito influenciado por Led Zeppelin, mas eu não queria soar como eles. Eu queria comprar uma guitarra e fazer aquele som, coisas como Dazed and Confused. Eu também fui influenciado pelo Alice Cooper e Peter Gabriel eu os vi ao vivo em 72 e o meu show é muito inspirado no que eu vi naquela noite. Vocalmente falando, meu vocalista preferido é o David Byron do Uriah Heep. Então eu fui influenciado por todas essas coisas, mas eu ainda sou eu mesmo, eu me esforcei para ser eu mesmo, é isso que você pode ver também nas bandas de black metal norueguesas, elas não são nem de longe cópias minhas, são uma versão do que eu faço, e ser inspiração para elas é uma grande honra.

Veja bem, isso não é apenas uma imagem para mim e espero que não seja para elas também, pois eu realmente sigo e vivo a filosofia de Anton Szandor LaVey (fundador da Igreja de Satã), eu já fui até sua igreja e passei uma noite toda lá, sou amigo de suas duas filhas, eu inclusive as encontrei na minha última passagem por São Francisco – CA, nós saímos para jantar depois do show, eu, elas, minha esposa e dois seguranças fomos para o restaurante favorito de Anton LaVey, onde ele costumava ir tarde da noite, e isso foi muito interessante, pude sentar e comer onde ele comeu.

Muito obrigado pela entrevista, King!
Muito obrigado por seu tempo! Nos vemos em São Paulo e preparem-se para um espetáculo totalmente fantástico!

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Violator faz discurso anti-Bolsonaro em show de São Paulo e reforça postura contra o autoritarismo http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/01/26/violator-faz-discurso-anti-bolsonaro-em-show-de-sao-paulo-e-reforca-postura-contra-o-autoritarismo/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2017/01/26/violator-faz-discurso-anti-bolsonaro-em-show-de-sao-paulo-e-reforca-postura-contra-o-autoritarismo/#respond Thu, 26 Jan 2017 03:10:24 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1085 O texto representa opinião do autor, não do Heavy Nation ou dos editores

Violator (8)

Por Daniel Pacheco / Fotos: Bajul Marota

A chuva que insistiu em cair naquela tarde de sábado não impediu que hordas de pessoas de preto comparecessem ao Clash Club para assistir ao Violator, pois chegando à rua do clube já era possível ver dezenas de headbangers lotando os bares e barraquinhas da região.

Por volta das 17:00, a Clash já contava com uma grande quantidade de público, o que impressiona, pois esse era um evento totalmente DIY (do it yourself), ou seja, sem nenhuma grande promoção, sem nenhuma banda estrangeira,  e, o mais importante, somente a divulgação boca-a-boca, o que por si só já demostrava a popularidade esmagadora e merecida atingida pelo Violator. Era possível ver diversas pessoas apoiando as bandas presentes, comprando material das mesmas nas bancas espalhadas pelo saguão, mostrando o quanto esse público ainda acredita em pequenas bandas que formam nosso underground.

Armadilha (2)

A primeira banda a tocar foi o Armadilha, que faz um speed metal bem calcado nas bandas brasileiras do estilo dos anos 80 e já agitava enquanto os presentes iam aquecendo os motores e confraternizando.

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Na sequência subia ao palco o Damn Youth direto do Ceará. O show dos caras é energia pura, um thrash/crossover extremamente rápido, chegando a lembrar em muitos momentos o próprio Violator. O público respondeu muito bem ao dar inicio a roda de moshpit que não se fechou até a Clash baixar as portas!

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Mais um pequeno intervalo, e o número de pessoas na casa continua a aumentar, tornando difícil até mesmo a circulação dos presentes. Subia então o D.E.R. banda veterana da cena paulista de grindcore. O som dos caras é visceral, grind direto, reto e sem frescuras e a presença de palco do vocalista (Thiago Nascimento) é hipnotizante, difícil achar alguém no público que não estivesse com os olhos voltados para o palco! Mesmo sendo um estilo que não agrada a todos, a banda pareceu ter elevado o nível de adrenalina do mosh pit ao teto da casa. Com certeza quebrou preconceitos e converteu muitos presentes a fúria do grind!

Cemitério (11)

A atração seguinte, Cemitério, é uma banda que tem chamado uma atenção absurda, com o lançamento do novo EP, “Oãxiac Odéz”, que homenageia a vida e obra do Zé do Caixão e também pelo instrumental absurdamente trabalhado e calcado na velha escola do Death Metal. Subia ao palco então Henrique Perestrelo (G), Rodrigo Costa(G), Douglas Gatuso(B) e Pedro (D) músicos de apoio do compositor (e também único músico a gravar em estúdio) Hugo Golon (V).

De cara mandam a intro “Olhos da Morte” e na sequência o som “Tara Diabólica”. Sem deixar espaço para respirar já é emendado o clássico instantâneo “A Volta dos Mortos Vivos” e o mosh se torna um turbilhão de pessoas se debatendo enquanto a banda continua a porradaria. O entrosamento entre Henrique e Rodrigo é algo fora do normal, executando cada riff intricado com uma simetria admirável. Infelizmente no começo do set o amplificador de Henrique começa a apresentar algumas falhas que foram resolvidas ao decorrer da apresentação, mas nada que tirasse o brilho do espetáculo que foi encerrado com a mais pedida durante todo o show: “A Vingança de Cropsy”.

Violator (6)

Hora de acalmar um pouco os ânimos? Nem pensar, em menos de dez minutos de intervalo o Violator já começou a tocar “Death Descends Upon This World”, a música instrumental que abre o seu último disco “Scenarios Of Brutality”. E foi nisso mesmo que a casa se transformou, um cenário de brutalidade total! A todo segundo uma pessoa se lançava do palco. Infelizmente o problema do amplificador que foi iniciado no show do Cemitério persistiu, e antes de terminar a primeira música, o Violator precisou parar por alguns minutos. Pedro Poney (B/V) sempre bem humorado ainda comentou “Tentamos ser profissionais, mas não tem como, isso sempre acontece” arrancando risos de todos.

Amplificador arrumado, e o massacre continua com a clássica “Attomic Nightmare” e “Endless Tyranies”. Antes de começar a próxima música, Poney chama atenção para o sombrio momento politico que vivemos, onde um parlamentar pode ir a câmera e homenagear um torturador da ditadura e ainda ser aplaudido. O público em uníssono começa a cantar “Hey Bolsonaro, vai tomar no cú” e ao som do coro do público é iniciada a inédita “False Messiah”.

O show segue com uma fúria animal e a banda dispara um clássico após o outro, “Toxic Death”, “Echoes of Silence”, “Futurephobia” entre outras. Antes de executarem a música “Destined to Die”, Poney brinca mais uma vez com a plateia, dizendo que o próximo som foi feito para que os espectadores “batessem o pentagrama” e demonstra uma especie de dança tr00 muito engraçada.

O Violator sai do palco ovacionado e demostrando todo o poder que uma banda underground pode ter, desde que siga e viva o que prega em suas músicas, mesmo sem ter nenhum apoio de uma mídia mainstream. A humildade dos caras também é algo digno de nota, assistiram todos os outros shows do meio público, sempre atendendo a todos os presentes com sorrisos estampados e disposição.

Uma coisa importante de se pontuar foram alguns ‘abusos’ que presenciei por parte de umas poucas pessoas da plateia. Não importa o quanto você esteja empolgado ou com o sangue quente durante o mosh pit, tente sempre respeitar os amigos que ali estão com você, este não é o lugar de dar porrada, exibir seus conhecimentos de jiu-jitsu ou de abusar de garotas que estão ali para se divertir, infelizmente muitos casos foram vistos e relatados destes abusos.

De qualquer modo, não posso deixar de elogiar a excelente produção. As músicas que rolaram nos intervalos eram totalmente condizentes com as bandas que ali tocavam, os intervalos entre uma banda e outra eram extremamente rápidos e os horários foram bem respeitados; resultando em um evento que acabou cedo e possibilitou que todos ainda utilizassem o transporte público para voltar para casa. Além disso, todos os alimentos arrecadados neste show foram encaminhados ao MSTS (não confundir com MST!).

Que venham mais!

Setlist Cemitério
Intro – Olhos da Morte
Tara Diabólica
A Volta dos Mortos Vivos
Quadrilha de Sádicos
Sexta-feira 13
Oãxiac Odéz
Ela Voltou (Pra Levar a Sua alma)
Encarnou no Seu Cadáver
Damien (Taurus)
A Última Casa à Esquerda
O Dia de Satã
A Sentinela dos Malditos
Natal Sangrento
Pague Para Entrar, Reze Para Sair
A Vingança de Cropsy

Setlist Violator
Death Descends Upon This World
Attomic Nightmare
Endless Tyrannies
False Messiah
Toxic Death
Echoes Of Silence
Respect Existence Or Expect Resistance
Infernal Rise
After Nuclear Devastation
Futurephobia
Ordered To Thrash
Destined To Die
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Confirmadas as primeiras bandas que irão tocar no BMU 2016 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/09/29/confirmadas-as-primeiras-bandas-que-irao-tocar-no-bmu-2016/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/09/29/confirmadas-as-primeiras-bandas-que-irao-tocar-no-bmu-2016/#respond Thu, 29 Sep 2016 17:57:18 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1072 richard

Richard Navarro, produtor do Brasil Metal Union, divulgou um video onde anuncia quem são as quatro primeiras bandas confirmadas no evento: Tuatha De Dannan, Hibria, Nervosa e Salário Minimo. “Estas foram as primeiras que tiveram a ‘consciência’ de me apoiar e não mediram esforços ‘pensando no bem coletivo’, em prol não apenas da volta do festival e da minha carreira como produtor, mas pelo fortalecimento sobrevivência do Metal nacional como um todo! – explica Navarro em um post na página oficial do BMU no Facebook.

Assista ao video na íntegra:

Informações sobre ingressos ainda não foram divulgadas.

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Soilwork traz turnê mundial para três cidades do Brasil http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/08/16/soilwork-traz-turne-mundial-para-tres-cidades-do-brasil/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/08/16/soilwork-traz-turne-mundial-para-tres-cidades-do-brasil/#respond Wed, 17 Aug 2016 00:12:31 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1066 soil

Após 21 anos de carreira, finalmente os suecos do Soilwork agendaram uma longa turnê de estreia com passagem confirmada por Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Colômbia e México.

No Brasil, Björn “Speed” Strid (vocal), Sven Karlsson (teclado), Sylvain Coudret (guitarra), David Andersson (guitarra), Markus Wibom (baixo) e o novato Bastian Thusgaard (bateria) se apresentam especialmente no Rio de Janeiro (09/09 – Teatro Odisséia), São Paulo (10/09 – Clash Club) e Curitiba (11/09 – Music Hall).

A turnê traz canções do novo álbum “The Ride Majestic”, que arrancou elogios de toda a imprensa especializada ao classificá-lo como um registro de grande introspecção e complexidade. No entanto, como esta é a primeira vez do Soilwork na América do Sul o repertório dessa excursão deve reunir os principais hits do grupo como “Stabbing the Drama”, “Nerve”, “Follow the Hollow”, “Bastard Chain”, “As We Speak”, “Rejection Role”, “Let This River Flow”, entre muitas outras.

Confira a mensagem do vocalista Björn “Speed” Strid aos fãs sul-americanos

Os ingressos continuam à venda no site Clube do Ingresso e em pontos autorizados pela empresa. Mais informações nos serviços abaixo.

Serviço São Paulo:
Liberation Tour Booking orgulhosamente apresenta SOILWORK pela primeira vez no Brasil
Data: sábado, 10 de setembro de 2016
Local: Clash Club
End: Rua Barra Funda, 969 (próximo ao Metrô Mal. Deodoro e Palmeiras-Barra Funda)
Abertura da casa: 18h
Classificação etária: 16 anos. Entre 14-16 anos somente munido de autorização assinada por pai ou mãe. Será necessária a apresentação do RG na entrada da casa.
Modelo da autorização: http://www.liberationmc.com/aut_clash.pdf
Informações gerais: info@liberationmc.com
Imprensa: press@theultimatemusic.com
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/891109474348584

Ingressos (2º lote):
Pista Meia entrada/estudante/promocional*: R$ 130
Inteira: R$260
Camarote: R$200 (entradas limitadas à venda pela internet e na Loja 255).
*promocional para não estudantes. Doe um kilo de alimento na entrada da casa no dia do evento e pague meia entrada

Venda antecipada (sem taxa de serviço/apenas dinheiro): loja 255: Galeria do Rock – 1º andar – (11) 3361.6951
Ingresso Online (com taxa de serviço): www.clubedoingresso.com/soilwork

Serviço Rio de Janeiro
Liberation Tour Booking orgulhosamente apresenta SOILWORK pela primeira vez no Brasil
Data: sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Local: Teatro Odisseia
End: Av. Mem de Sá, 66, Lapa
Hora: 18h
Duração: 180 min
Informações e dúvidas: info@liberationmc.com
Imprensa: press@theultimatemusic.com | 11 964.197.206
Infoline: (21) 2224-6367
Classificação etária: 18 anos
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/1604264736555313

Ponto de venda sem taxa de conveniência: Hard n Heavy: Rua Marquês de Abrantes, 177, loja 106, Flamengo | (21) 2552-2449
Ingresso online: http://www.clubedoingresso.com/soilwork-rj

BILHETERIA
R$105 (Pista Primeiro Lote – Meia entrada / Estudante)
R$105 (Pista Primeiro Lote – Promocional para não estudantes. Doe um kilo de alimento na entrada da casa no dia do evento e pague meia entrada).
Inteira: R$210

Serviço Curitiba
Liberation Tour Booking orgulhosamente apresenta SOILWORK pela primeira vez no Brasil
Data: domingo, 11 de setembro de 2016
Local: Music Hall (antigo John Bull)
End: R. Engenheiro Rebouças, 1645
Hora: 19h
Banda de abertura a confirmar
Imprensa: press@theultimatemusic.com | (11) 964.197.206
Infoline: (11) 3813.8598
Informações gerais: info@liberationmc.com
Classificação: 16 anos. Entre 14-16 anos somente acompanhado de pai, mãe ou representante legal.
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/116231362128555

Ingressos (1º lote):
Pista: R$ 100 (meia entrada/estudante/promocional*) | R$ 200,00 (inteira
*para não estudantes – doe um kilo de alimento na entrada e pague meia entrada

Ingresso online (com taxa de serviço): http://www.clubedoingresso.com/soilwork-curitiba

Pontos de venda (sem taxa de serviço | pagamento em dinheiro):
DR ROCK: Rua Emiliano Perneta, 297 – Shopping Metropolitan, loja 04 – (41) 3324.0669

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Fãs do Megadeth começam contagem regressiva para shows no Brasil http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/07/28/fas-do-megadeth-comecam-contagem-regressiva-para-shows-no-brasil/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/07/28/fas-do-megadeth-comecam-contagem-regressiva-para-shows-no-brasil/#respond Thu, 28 Jul 2016 05:14:41 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1059 c2a2bca2-eb33-4626-91ec-6341979c34f9

Faltam poucos dias para que o Megadeth desembarque pela 14ª vez no Brasil! A banda norte-americana traz especialmente aos fãs de São Paulo (07/08 – Espaço das Américas) e Belo Horizonte (09/08 – Expominas) a turnê mundial, que promove o novo álbum “Dystopia” (Universal Music Enterprises).

A nova turnê pela América Latina verá, pela primeira vez, o novo line-up da banda hipnotizar os fãs com um set repleto de clássicos como “Peace Sells”, “Holy Wars… The Punishment Due”, “Hangar 18”, “Symphony of Destruction”, “A Tout Le Monde”, “Tornado of Souls”, “Countdown to Extinction”, além das novas composições do disco “Dystopia”.

Novamente sob a produção da Rádio Corsário, os ingressos para a performance em São Paulo custam R$ 140 (pista – meia entrada/estudante), R$ 240 (pista premium – meia entrada/estudante) e R$ 250 (mezanino – meia entrada/estudante), e continuam à venda no site da Ticket 360, na bilheteria do Espaço das Américas e pontos autorizados.

ae195575-e073-4da7-9c84-5e522a1b1b24Serviço São Paulo
Rádio & TV Corsário orgulhosamente reapresenta MEGADETH
Dia: 7 de agosto de 2016

Local: Espaço das Américas
End: Rua Tagipuru, 795 – ao lado da estação Palmeiras-Barra Funda do Metrô
Horário: 18h (open doors)
Imprensa: press@theultimatemusic.com | 11 964.197.206
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/425161657680565

Informações e compra de ingressos:
# BILHETERIAS ESPAÇO DAS AMÉRICAS – Rua Tagipuru, 795
(Posto de venda sem taxa de conveniência) – Rua Tugipuru, 795 – São Paulo
Horário: Segunda à sexta das 9h às 13h e 14h às 17h, Sábado das 9h às 13h.
Forma de pagamento: Somente em dinheiro

# COMPRA POR TELEFONE – (11) 2027.0777
# COMPRA PELA INTERNET – https://www.ticket360.com.br/evento/5295/megadeth
(Formas de Pagamento: dinheiro, cartões de crédito Visa, MasterCard, American Express e Dinners Club)

Para a compra de ingressos para estudantes, aposentados e professores estaduais, os mesmos devem comparecer pessoalmente portando documento na bilheteria respectiva ao show ou nos pontos de venda. Esclarecemos que a venda de meia-entrada é direta, pessoal e intransferível e está condicionada ao comparecimento do titular da carteira estudantil no ato da compra e no dia do espetáculo, munido de documento que comprove condição prevista em lei.

BILHETERIA
PISTA MEIA ENTRADA/ESTUDANTE: R$ 140,00 (4º lote)
PISTA PREMIUM MEIA ENTRADA/ESTUDANTE: R$ 240,00 (4º lote)
MEZANINO MEIA ENTRADA/ESTUDANTE: R$ 250,00 (2º lote)
PISTA IINTEIRA: R$ 280,00 (4º lote)
PISTA PREMIUM INTEIRA: R$ 480,00 (4º lote)
MEZANINO INTEIRA: R$ 500,00 (2º lote)

Capacidade: 8000 lugares
Censura: 16 anos (desacompanhados). Menores dessa idade somente acompanhados dos pais ou responsáveis.
Duração: Aproximadamente 120 minutos
Abertura da Casa: 2h antes do espetáculo
Estacionamento: locais próximos ao Espaço das Américas
Estrutura: ar condicionado, acesso para deficientes, área para fumantes e enfermaria

Serviço Belo Horizonte
EV7 Live e Overload orgulhosamente apresenta MEGADETH
Dia: terça-feira, 9 de agosto de 2016

Local: Expominas
End: Av Amazonas, 6030
Horário: 19h (abertura da casa)
Imprensa: press@theultimatemusic.com | 11 964.197.206
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/565319336962818

INGRESSOS:
PISTA MEIA: R$ 130,00
PISTA PROMOCIONAL: R$ 180,00
PISTA INTEIRA: R$ 260,00
PISTA VIP MEIA: R$ 200,00
PISTA VIP PROMOCIONAL: R$ 300,00
PISTA VIP INTEIRA: R$ 400,00

Venda online: http://www.centraldoseventos.com.br/megadeth
Atenção! Compre seu ingresso em até 18x em todos os cartões de crédito pelo nosso site!

Ponto de Vendas:
Aplicativo Central dos Eventos Mobile
Savassi | Loja Central dos Eventos (Rua Fernandes Tourinho 470, Loja 16)
Galeria C&A Centro | Loja Central dos Eventos
Big Shopping Contagem | Quiosque Central dos Eventos
Shopping Pampulha Via Brasil | Loja Central dos Eventos
Shopping Sete Lagoas | Quiosque Central dos Eventos
BH Shopping | Loja Chilli Beans
Pátio Savassi | Loja Chilli Beans
Minas Shopping | Loja Chilli Beans

– No local sujeito a disponibilidade e preço.
– Esgotando o lote o preço dos ingressos serão alterados automaticamente, independente da data pré-estabelecida.
– A compra de ingressos em nossos pontos de venda está sujeita à Taxa de Conveniência.
– Meia entrada limitada a menores de 21 anos e maiores de 60 anos, e estudante devidamente matriculados no ano de 2015. Documentos a serem apresentados na entrada do evento:
– Menores de 21 anos e maiores de 60: Documento oficial com foto (RG ou CNA);
– Estudantes, independente da idade: Além de documento oficial com foto (RG ou CNA), o estudante deve apresentar comprovação estudantil válida que, conforme as leis 12.852 e 12.933, passa a ser exclusivamente o “documento do estudante”, padronizado, emitido pela UNE, UBES e ANPG.
– Ingressos promocionais: São lotes promocionais limitados, com desconto, válidos para todos os públicos que quiserem o adquirir.

Recentemente, o grupo lançou videoclipe para o atual single “Post American World”


16c10acc-e3e6-4cfe-9946-15adc8c2be38Suicide Silence se apresenta, neste final de semana, em SP e RJ

A banda norte-americana Suicide Silence se apresenta neste final de semana, em São Paulo (30/07 – Clash Club) e Rio de Janeiro (31/07 – Teatro Odisseia). Shows fazem parte turnê mundial, que promove o álbum “You Can’t Stop Me”. Ainda há ingressos à venda em ambas as cidades!

Serviço São Paulo
Liberation Tour Booking orgulhosamente reapresenta Suicide Silence
Data: sábado, 30 de Julho de 2016
Local: Clash Club
End: Rua Barra Funda, 969 – próximo ao Metrô Mal. Deodoro
Horário: 18h (open doors)
Banda de abertura: Pray for Mercy
Imprensa: press@theultimatemusic.com | 11 964.197.206
Capacidade: 800 pessoas
Informações gerais: info@liberationmc.com
Classificação etária: 16 anos. Entre 14-16 anos somente munido de autorização assinada por pai ou mãe. Será necessária a apresentação do RG na entrada da casa.
Modelo da autorização: http://www.liberationmc.com/aut_clash.pdf
Estacionamento: nas imediações (sem convênio)
Estrutura: ar-condicionado, acesso para deficientes somente na pista, área para fumantes
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/1107871199269615

Ponto de venda (sem taxa de serviços): Loja 255 (Galeria do Rock – 1º andar)
Ingresso online (com taxa de serviço): http://www.clubedoingresso.com/suicidesilence-sp

BILHETERIA – 2° LOTE
PISTA MEIA ENTRADA/ESTUDANTE: R$ 120,00
PISTA INTEIRA: R$ 240,00
CAMAROTE: R$ 250,00
*Promocional para não estudantes. Doe um kilo de alimento na entrada da casa no dia do evento e pague meia entrada

31154c95-a1e1-499b-a6e2-2f226e4a390eServiço Rio de Janeiro
Liberation Tour Booking orgulhosamente reapresenta Suicide Silence
Data: domingo, 31 de Julho de 2016
Local: Teatro Odisseia
End: Av. Mem de Sá, 66 – Lapa
Horário: 18h (open doors)
Banda de abertura: Reckoning Hour
Imprensa: press@theultimatemusic.com | 11 964.197.206
Infoline: (21) 2224-6367
Informações gerais: info@liberationmc.com
Classificação etária: 18 anos
Evento Fb: https://www.facebook.com/events/244518352581793

Ponto de venda (sem taxa de serviços): loja Hard ‘N Heavy – Rua Marquês de Abrantes, 177, loja 106 – Flamengo – (21) 2552.2449
Ingresso online (com taxa de serviço): http://www.clubedoingresso.com/suicidesilence-rj

BILHETERIA – 1° LOTE
PISTA MEIA ENTRADA/ESTUDANTE/PROMOCIONAL*: R$ 105,00
PISTA INTEIRA: R$ 210,00
*Promocional para não estudantes. Doe um kilo de alimento na entrada da casa no dia do evento e pague meia entrada

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Suicidal Tendencies relembra velhos clássicos no show em São Paulo http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/07/06/suicidal-tendencies-relembra-velhos-classicos-no-show-de-sao-paulo/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/07/06/suicidal-tendencies-relembra-velhos-classicos-no-show-de-sao-paulo/#respond Wed, 06 Jul 2016 20:09:57 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1044 Por Daniel Pacheco / Fotos: Jair Gomes Silva (Imprensa do Rock)
Agradecimentos: Sandro P. Bueno

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Mike Muir (Suicidal Tendencies)

A tarde quente que fazia em São Paulo não assustou a grande quantidade de pessoas que começaram a se alinhar na porta da Audio Club, quase todas com bandanas na cabeça, camisetas de bandas de crossover e camisas de flanela xadrez amarradas na cintura, além dos bonés de aba levantada. Era difícil andar sem encontrar amigos, visto que, essa cena é quase uma família.

A ansiedade era grande, afinal o maior nome do estilo iria se apresentar naquela noite, com a presença do grande baterista Dave Lombardo (ex-Slayer), acompanhado por Ratos de Porão, que tem feito uma turnê comemorativa do célebre disco Anarkophobia.

Entramos na casa por volta das 19h30 e exatamente quinze minutos depois entra em cena a primeira banda, Tolerância Zero, que faz um hardcore bem calcado na bateria, lembrando um pouco os grupos nova-iorquinhos da década de 90, a casa ainda se encontrava um pouco vazia, mas o Tolerância agradou parte dos presentes com seu setlist. A banda tem um currículo bem extenso, incluindo alguns trabalhos em trilhas sonoras de filmes, mas estava fora de atividade há algum tempo.

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Henrique Fogaça (Oitão)

Num curto intervalo, a casa começou a encher, muita gente começou a se aglomerar em frente ao palco para a próxima banda, e pontualmente às 20h40 o Oitão começa a derrubar o palco. A banda já é velha conhecida da cena paulistana e agora traz em sua formação o excelente guitarrista Ciero, conhecido produtor de inúmeras bandas brasileiras que mostrou que sua força e talento vão muito além da mesa de produção com uma presença de palco insana, roubando a atenção. O Oitão é capitaneado por Henrique Fogaça (vocal) e Ed Chavez (baixo), ainda conta com Marcelo BA (bateria). Fizeram uma apresentação redonda, bem ensaiada, e cheia de clássicos da banda como “Pobre povo”, “Podridão engravatada” e “Faixa de Gaza”, para citar algumas, perto do final de seu setlist, o Oitão preparou uma surpresa que levantou todo mundo do chão, a presença do vocalista Túlio da banda DFC, que diga-se de passagem, merecia e deveria estar nessa festa. Túlio entra comentando “Estou aqui para adicionar um pouco de satanás nessa festa”, então tocam a clássica “Mulecada 666” do DFC, emendando na sequência outro cover tradicional do Oitão, “Isto é Olho Seco”, da veterena banda paulista Olho Seco.

A casa já estava cheia, o público estava mais do que aquecido e a noite ainda nem havia começado, pois a próxima banda prometia um show memorável, que por sinal não ficou só na promessa.

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João Gordo (RxDxPx)

O Ratos de Porão está na estrada há 35 anos e hoje é a banda brasileira que possui o maior respeito na cena, tanto nacional quanto internacional, são 14 discos de estúdio, todos extremamente fiéis ao estilo refinado por eles. Nesse dia o RDP tocou na íntegra o disco “Anarkophobia” de 1991, um de seus maiores clássicos que completa 25 anos. Foi então que às 21h45 as luzes baixaram e os próprios integrantes entraram no palco plugando seus instrumentos e com uma apresentação rápida, sem mais delongas, iniciaram o massacre com “Contando os Mortos” e sua execução foi perfeita, uma verdadeira viagem no tempo. As músicas foram sendo emendadas uma atrás da outra, ocasionando uma porrada atrás da outra, o mosh pit não parou de girar nem por um segundo.

A banda mostrou que o tempo de estrada fez com que João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) dominassem o palco e o público. O show seguiu com as músicas do disco até “Escravo da TV”, que fecha esse petardo fonográfico, mas se enganou quem achou que o show dos brasileiros havia terminado, houveram mais músicas como “Conflito Violento” do disco “Século Sinistro” de 2014, uma crítica acída a ação policial com direito a cutucar a pouca parcela do público coxinha, que reagiu negativamente à música. Na sequência outro momento raríssimo, a execução da faixa “Jardim Elétrico”, cover dos Mutantes. Antes de terminar, o Ratos ainda visitaram boa parte do seu maior clássico, o disco Brasil de 1989 entre algumas outras músicas que não podem faltar em seu repertório. Resumindo, esse show já havia valido a noite para muitos ali, era possível ver jovens, adultos, senhores e senhoras cantando e agitando durante todo o show. O Ratos mostra a cada show que estão cada dia mais sujos e agressivos, e são, junto com o Krisiun e o Sepultura, o maior motivo de orgulho ao metal brasileiro.

Já era possível ver pessoas caídas, algumas sentadas sem fôlego, roxos e escorriações, o cansaço e a alegria estava estampada na cara de todos os presentes na Audio, mas o baile ainda não havia terminado.

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Dave Lombardo

Após um longo intervalo (o que causou algumas preocupações, pois haviam boatos de que Dave Lombardo estava com o braço lesionado, e que talvez não pudesse se apresentar, já que ele havia se ausentado até mesmo da tarde de autográfos), a introdução de “You Can’t Bring me Down”, faixa de abertura do disco “Lights…Camera…Revolution!” de 1990, ecoa dos PA’s trazendo cada cyco presente de volta a vida, berros e lágrimas ecoaram pela casa, quando um a um, Dean Pleasants (guitarra solo), Jeff Pogan (guitarra base), Ra Diaz (baixo) e Dave Lombardo assumiram seus lugares, mas a pista foi mesmo abaixo quando o rei Cyco entrou em cena, empunhando seu microfone e gritando do canto do palco: “Brasil…WHAT THE FUCK IS GOING ON AROUND HERE?”.

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Dean Pleasants (Suicidal Tendencies)

Não há como negar, a emoção dominou todo o corpo nesse momento, não havia necessidade alguma dos backing vocals, a pista simplesmente gritava de volta para o palco cada verso da música. O setlist teve surpresas, como “Go’n Breakdown” que é presença rara nos setlists. Ainda assim clássicos não faltaram, como “War Inside My Head”, “Subliminal”, “How I Will Laugh Tomorrow”, todas executadas com uma energia brutal por Lombardo. Mike Muir (vocal) não fica parado por nenhum segundo, correndo em volta do palco, levantando todos os presentes com sua energia assombrosa. Vale também destacar toda a simpatia do Dean Pleasants, que hoje ocupa a posição do eterno Rocky George, e o faz com extrema competência. Dean distribuiu durante todo o show palhetas para as pessoas próximas ao palco, sempre sorrindo e comprimentando a todos, mas o ápice do show ocorreu na música “Possessed to Skate”, executada aqui na versão do disco “Still Cyco After all These Years” de 1993. Mike convidou todos os presentes a subirem ao palco, como sempre ocorre em shows do ST, mas dessa vez a coisa foi levada a um outro nível, em cima do palco haviam mosh pits, crowd surfing, nem os músicos conseguiam se mexer. O show seguiu com “Cyco Vision” e a energia não diminuiu.

A sensação de dormência no corpo foi forte, mas a satisfação foi imensa, nessa noite muitas pessoas puderam ver seus heróis de infância de perto, ainda fazendo música com uma energia absurda e deixando claro que o tempo de estrada só os trouxe o conhecimento de como fazer apresentações memoráveis. SxTx for life.


Leather Leone e Rob Rock: Show do Rio de Janeiro tem data alterada

e743e817-62ae-4dc0-b9a2-487b59128f39O show dos grandes vocalistas Leather Leone e Rob Rock teve sua data alterada; inicialmente seria no dia 22 de Setembro, mas por causa de outros compromissos dos artistas, será antecipada para o dia 16 de Setembro (sexta-feira). O local continua sendo o mesmo; Rock Experience (veja serviço, abaixo!). Os ingressos com data do dia 22, valem para a nova data!

SERVIÇO Leather Leone e Rob Rock no Rio de Janeiro
Dia: 16/09 (sexta-feira)
Local: Rock Experience (R. Riachuelo, 20 – Lapa)
Abertura da casa: 20h
Ingressos: R$80 (antecipado/promocional) / R$100 (no dia do evento)
Postos de venda (sem taxa de conveniência e somente em dinheiro):
Sempre Música (Ipanema): 3437-6306
Sempre Música (Catete): 2323-6121
Hard n Heavy (Flamengo): 2552-2449
Blizzard (Cinelândia): 98693-6051
Headbanger (Tijuca): 2284-1034
Pela internet (com taxa de conveniência. Aceita pagamento com cartão de crédito/débito): www.sympla.com.br
Assessoria de Imprensa: Lanciare Comunicação (lpiantonni@lanciare.com.br)
Produção: Scelza Produções e A&L Eventos

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Adair Daufembach: trabalhar com heavy metal no Brasil é caro”, diz produtor http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/06/22/produtor-adair-daufembach-fala-sobre-carreira-e-dificuldades-no-brasil/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/06/22/produtor-adair-daufembach-fala-sobre-carreira-e-dificuldades-no-brasil/#respond Wed, 22 Jun 2016 20:39:34 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1026 13516709_10209951811338376_548412030849842148_n

Quem tem banda sabe o quanto o trabalho de um produtor faz uma bela diferença na hora de gravar um álbum, vide grandes obras como o black álbum do Metallica, onde muita coisa foi sugestão do renomado Bob Rock, os clássicos discos do Iron Maiden com o saudoso Martin Birch, ou ainda, as belas obras de death metal do inicio dos anos 90 produzidas por Scott Burns (Obituary, Death, Malevolent Creation, Cannibal Corpse e inúmeras outras).

O Brasil progrediu bastante neste quesito, mesmo com a cultura do sertanejo universitário e outros gêneros duvidosos em alta, atualmente temos excelentes profissionais como Heros Trench e Marcello Pompeu (Mr.Som), Fabiano Penna (Blue House Studio), Paulo Anhaia, Tito Falaschi, Brendan Duffey (atualmente morando nos EUA).

E junto com esta galera está o catarinense radicado em São Paulo Adair Daufembach, que possui um curriculo vasto por ter trabalhado com Hangar, Holiness, Semblant, Trayce e Project46. E foi exatamente com ele que conversei. Confira.

Como foi sair da Faculdade de Direito para se tornar um produtor de heavy metal?
Bem, a decisão foi fácil porque era o que eu mais queria e por incrível que pareça não foi algo difícil. Ao mesmo tempo em que o mercado de Heavy Metal era muito pequeno, também não existia praticamente ninguém que fosse especializado exclusivamente em metal, rock e afins, então foi muito louco que desde o início sempre tive a agenda lotada, mesmo quando meu “estúdio” era apenas dois quartos no fundo da casa da minha mãe com uma placa de som on board de dois canais.

Você começou com o Hangar, uma banda de metal melódico, mas depois assinou a produção de bandas de gêneros distintos como Semblant, Project46, Trayce, entre outras. Como é trabalhar com bandas tão diferentes entre si?
Cara, essa pergunta é muito legal porque a resposta para ela serve também para responder “porque não tenho mais banda hoje?”. O que mais me encanta nessa profissão é que numa semana vou estar com Ponto Nulo fazendo um som groove 100% com umas melodias incríveis, na outra com o Pray for Mercy fazendo o disco mais “desgraçado” possível e na outra com o Jack the Joker fazendo o disco mais virtuoso de todos os tempos (risos).

Eu acabei ficando viciado nisso, o desafio é conseguir passar de uma coisa para a outra, entender a filosofia da banda e fazer parte da banda, eu tento ao máximo ser um membro da banda no período em que estou produzindo ela é um desafio em tanto e muito recompensador.

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Daufembach (primeiro à esq.) com a galera do Project46

Eu sei que o Project46 começou a cantar em português por sugestão sua, e deu muito certo. Qual é o limite entre produtor e banda, no sentido de opinar, na hora de gravar um disco?
Eu tenho sempre uma grande abertura com as bandas que eu gravo, pelo menos 90% delas querem sugestões nas músicas. Depois de criar nome do mercado isso se torna natural, as bandas sabem que você chega num resultado que elas gostam e querem deixar você trabalhar, mas no começo isso é mais difícil.

Porém isso acontecia com facilidade mesmo no começo da minha carreira. Eu adquiria essa confiança muito rapidamente com a banda e honestamente eu não tenho uma receita para isso, acontece naturalmente. Se eu tivesse que apontar um motivo eu diria que é porque eu tenho essa postura de “entrar na banda” quando estou produzindo os caras, logo eles percebem que eu entendi a proposta e que estou sugerindo o melhor. Não sei, acho que é isso ou eu simplesmente sou persuasivo (risos).

Quais as dificuldades em trabalhar com produção no Brasil?
Cara, essa é uma pergunta difícil de responder porque eu nunca passei por nenhuma crise no meu trabalho a ponto de não ter clientes ou algo do tipo. A dificuldade que eu tive foi justamente ter que trabalhar muito, mas muito mesmo, para conseguir sempre ficar assim. Já trabalhei 45 dias sem folga para ter uma ideia, eu sempre tive muito claro na minha mente que esse é um trabalho que só funciona por indicação, você só continua trabalhando se as pessoas gostaram do trabalho que você fez e então elas te indicam para outras bandas.

Não existe propaganda, marketing ou estúdio bonito que sustente essa profissão, apenas o resultado. Um produtor que se baseia na beleza do seu estúdio ou nos seus equipamentos não consegue se sustentar na profissão se ele não conseguir resultados. O “Brasil” em si atrapalha porque eu tenho que concorrer com as bandas de fora que gravam em países com situação econômica completamente diferente da nossa, lá tudo é mais barato e o custo de vida é mais baixo.

Resumindo, os concorrentes tem uma situação muito mais grata para fazer um disco do que eu, lá os caras tem que trabalhar menos dias por mês do que eu para ter uma vida boa (risos).

Já vi muitas bandas dizendo que apesar de bons profissionais nossos estúdios ainda não tem o mesmo patamar dos gringos. Qual sua opinião sobre isso?
A reposta anterior explica boa parte disso. O nosso país não cria condições para que a profissão de Produtor Musical se desenvolva facilmente. O preço dos equipamentos para nós é sempre, no mínimo, o triplo do deles e principalmente não temos acesso ao conhecimento e informação que eles tem.

Eu assisti um workshop do Chris Lord Alge em Los Angeles e ele disse que largou o colégio para viver dentro do estúdio quando era adolescente. Esse tipo de coisa tem significado completamente diferente lá e aqui, porque para um brasileiro fazer isso ele necessariamente tem que ser milionário, enquanto que para um americano ter uma vida estável já basta. 

No Brasil temos poucos estúdios que produzem com a mesma qualidade dos gringos, mas temos. Realmente a diferença está na quantidade. Lá tem muito mais e isso é normal porque para mudar isso tem que mudar o país primeiro.

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O Metal precisa ser solidário com a comunidade LGBT após massacre nos EUA http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/06/18/o-metal-precisa-ser-solidario-com-as-vitimas-do-massacre-em-orlando/ http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/2016/06/18/o-metal-precisa-ser-solidario-com-as-vitimas-do-massacre-em-orlando/#respond Sat, 18 Jun 2016 20:28:26 +0000 http://heavynation.blogosfera.uol.com.br/?p=1009 43ac5b6f-b6ee-47e8-8d5e-84f8d6f2356c

Após o massacre em Orlando, fãs do metal precisam estar lado a lado com a comunidade LGBTT

Para nós, headbangers, shows e festivais não são apenas uma oportunidade para assistirmos bandas ao vivo, mas também servem como um refúgio, um lugar onde podemos nos sentirmos em casa. É onde podemos ser nós mesmos e relaxar trocando ideias com outros iguais a gente. É onde você não é julgado pela sua camiseta do Megadeth ou o cabelo comprido ou por suas tatuagens. É onde podemos mostrar solidariedade uns com os outros.

Agora imagine como seria se seu cotidiano não significasse apenas se vestir de forma diferente, amarrando o cabelo para trás, encobrindo sua tatuagem do Baphomet e tentando não mencionar Rotting Christ de forma educada?

Imagine se você tivesse de usar pronomes de gênero neutro sobre o seu parceiro todos os dias porque você se preocupa se as pessoas irão reagir mal ao ouvirem “ele” ao invés de “ela”?

Imagine se andar de mãos dadas com sua namorada em público fosse motivo para alguém gritar alguma ofensa pra você na rua ou vir com uma ameaça de violência física?

Imagine se um simpático beijinho na bochecha na pessoa que você ama se tornasse uma declaração política onde você precisa pesar as potenciais consequências? Imagine se por você ser quem você realmente é significasse um risco a sua convivência familiar?

Imagine que o banheiro público que você é permitido entrar é uma questão de debate acalorado pelos legisladores? Imagine que o que você está mantendo internamente é quem você é a maior parte de sua vida?

Para muitos gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans, clubes designados e bares são os únicos lugares fora de suas casas onde eles podem ser verdadeiramente quem são, onde suas ações podem ser livres e descontraídas sem se preocupar com o que as pessoas irão pensar.

E se você é um metalhead, você provavelmente tem uma ideia mais clara do que a maioria do quão importante esses lugares podem ser. Se você é um metalhead, você não tem que imaginar como seria ouvir que um dos “nossos” lugares tenha sido palco de violência e morte (nenhum de nós, mesmo que querendo o contrário, esquecerá o nome “Bataclan” tão cedo), ou como sentiria ao saber que as pessoas querem você morto por quem você é.

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É um tapa na cara, não é? Eu não tenho ideia do que as famílias e amigos e sobreviventes do ataque na Pulse, uma boate gay de Orlando, estão passando agora e eu não vou insultá-los fingindo que sei. A sensação que que uma das vítimas, Eddie Justice, passou ao se esconder no banheiro enviando mensagens de texto à mãe sabendo que ele estava prestes a ser assassinado me dá um misto entre horror, raiva e tristeza – e isso sem sequer pensar sobre o que sua pobre mãe teve que passar, e provavelmente vai passar pelo resto de sua vida.

Em última análise, o tipo de ódio que leva aos crimes hediondos como este será derrotado por uma coisa: a solidariedade.

E precisamos melhorar nossa participação. A comunidade de metal é, em geral, acolhedora dos excluídos – incluindo os gays – de uma forma que a maioria dos grupos sociais não são, provavelmente porque nós temos um pouco mais conhecimento sobre o que é ser diferente.

Mas que muitas vezes não aparentamos – em parte porque os fãs de metal são historicamente péssimos em mandar homofóbicos se danarem quando eles merecem, mas principalmente porque não temos feito muito para dizer ativamente “você é bem-vindo aqui também”. E agora, precisamos disso mais do que nunca.

Talvez uma das declarações mais evidentes de apoio à comunidade LGBTT na última década veio de uma banda de Orlando. O álbum do Trivium, “The Crusade”, muito criticado, apresentou “And Sadness Will Sear”, uma música sobre a agressão homofóbica que causou a morte de um jovem chamado Matthew Shepard.

É hora do metal fazer mais do que isso! Não necessariamente escrever músicas sobre o assunto, mas reconhecer abertamente que gays também são bem-vindos. Porque se analisarmos friamente há muito em comum entre um bar gay e um show de black metal (e não apenas porque ambos são desleixados e não são avessos a um pouco de couro).

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Paul Masvidal e Sean Rienert: homossexuais assumidos e sem problema algum com isso

Lentamente os gays vem sendo mais aceitos na sociedade, tanto em círculos do metal como no público em geral. Mas ainda assim, tirando o Cynic de Paul Masvidal e seu ex-colega de banda Sean Rienert, Steve Brooks do Torche, Gaahl (ex-Gorgoroth) e Rob Halford (Judas Priest), não há muitos músicos fora do armário.

Nós podemos mudar isso. Podemos usar uma tragédia horrível e insuportável como um catalisador para melhorarmos, para mostrar que metalheads são uma comunidade onde o diferente é bem-vindo e que tomamos conta um dos outros. Não se trata em dizer “vá se danar” a ninguém, trata-se de dizer “entre, você está seguro aqui” para as pessoas que não sabem ao certo se elas são bem-vindas ou não.

Orlando foi o lugar onde Chuck Schuldiner fundou o Death e isso coloca a cidade no cenário do metal com as melhores intenções . Neste momento Orlando está em nossas telas de TV e no Twitter por causa da tragédia, de intolerância e de assassinato. Não há nada de bom nisso e aqueles que perdemos merecem coisa melhor do que algo banal sobre algo positivo vindo dessa tragédia.

Tudo que podemos fazer é tentar apoiar uns aos outros. Porque se não o fizermos, como podemos pedir para alguém fazer o mesmo por nós?

Texto originalmente publicado no site teamrock.com por Tom Dare
Tradução: Hernan Martinez

 

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