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King Diamond revela que próximo álbum será inspirado no clássico "Abigail"

Julio Feriato

17/03/2017 12h06

No dia 25 de junho acontecerá na capital paulista um  evento que celebra 25 anos de atividades da produtora Liberation, o Liberation Fest. As atrações provocaram algumas discussões nas redes sociais entre os mais radicais, mas não deixam de ser nomes fortes. Entre eles, Lamb of God, Heaven Shall Burn, Carcass, os paulistas do Test, e como atração principal, o lendário King Diamond.

Para falar sobre este show e algumas outras curiosidades, King nos concedeu uma exclusiva e você confere o resultado logo abaixo.

Por Daniel Pacheco

Vocês estão excursionando no momento tocando o álbum Abigail na íntegra. Como é revisitar essa obra todas as noites?
Sim, nós estamos fazendo três shows especiais esse ano e é o mesmo set que nós estivemos tocando desde novembro. Em 2015 também fizemos uma turnê pelos Estados Unidos com esse set e ano passado fizemos uma turnê pela Europa onde tocamos nos maiores festivais de lá. Essas duas turnês foram gravadas para um blu-ray que irá conter um show ao ar livre na Europa e outro fechado nos EUA. Preciso dizer que eu tive uma amostra grátis de como está ficando a edição final e é algo fora do comum! Há muitas coisas maravilhosas nesse blu-ray para serem vistas e ele deve sair ainda esse ano.

Quando isso estiver terminado, nós começaremos a escrever e a gravar o próximo disco do King Diamond. Como estamos tocando tanto o disco Abigail, há um sentimento de que estamos de volta a 1987, então esse próximo álbum promete ser o melhor que fizemos desde então! Além disso, eu não fumo há bastante tempo agora, além de caminhar 10 kms todos os dias, o que faz meu coração ficar cada vez mais forte, por conta de tudo isso eu sinto muita mais facilidade em cantar as músicas do Abigail hoje, do que em 1987.

Desde que li pela primeira vez o encarte de Abigail, eu notei que você insere o número nove de várias maneiras na história. Isso realmente acontece ou é somente uma observação sem sentido?
Não, você tem toda a razão! O nove é um número mágico, é usado muito no satanismo de LeVay. O nove é um círculo completo, é a vida, entende?

Na história eu digo que dezoito se tornarão nove, há também referência a ele no título de uma das músicas “The 7th Day of July 1777”, isso também é um nove, você só precisa olhar para isso de uma maneira especial. A idade da Miriam referência o nove porque ela tem dezoito anos logo 8+1 = 9. Quando você observa todos os números da data, o sétimo dia de julho de 1777 você terá cinco números 7, e um número 1,5×7=35, o resultado mais um é 36, 3+6, você terá mais uma vez o número 9. É um dos números que você sempre chegará ao final de um ciclo, até mesmo 666 também é uma extensão do nove, quando você o multiplica por alguma coisa. Acho que 666 vai dar algo como dezoito, então oito mais um, será nove de novo, ou seja é um número muito mágico e é por isso que ele está lá.

É verdade que a história veio até você em um sonho onde treze pessoas em capuzes se aproximavam e isso o inspirou a fazer os cavaleiros do disco?
Sim e não. Eu realmente sonhei isso, mas este foi utilizado em uma música do Mercyful Fate, a Nightmare. Houve esse sonho em que eu e meu irmão estávamos em um quarto e ao menos treze pessoas de um culto entraram nele, todos eles encapuzados e apontando para mim, eu então tentei gritar, mas eu não tinha voz, eles diziam para mim: “You’re only living on borrowed/Time from your life” (Você está vivendo apenas um tempo emprestado de sua vida.) e eu usei essa frase na letra da música.

Isso é algo velho, mas a inspiração para Abigail também veio de diversos sonhos que eu tive em uma noite em particular. Eu acordei em meio a uma tempestade – acho importante dizer que as tempestades na Dinamarca não são nada parecidas com as que temos aqui no Texas, lá as tempestades são realmente gostosas, algo muito bom de se ouvir para dormir e relaxar. Enfim, este sonho me acordou e não me atrevi a voltar a dormir, pois não queria perder aquelas memórias que estavam frescas na minha cabeça. Eu tomei um copo de café e então comecei a escrever tudo que eu conseguia lembrar, isso se transformou no Abigail.

Qual foi o sua experiência mais próximo com o sobrenatural?
Houveram muitas experiências que eu vivi com relação a bruxaria, fantasmas, assombrações… Coisas as quais eu não gostaria de comentar. O apartamento em que eu vivia era extremamente assombrado e aparentemente esse espírito me segue até hoje na casa em que moro. Eu quem construi esta casa, ninguém viveu aqui antes de mim e existem quatro pontos quentes aqui onde você pode medir e sentir as coisas. Algo diferente está aqui, meu gato algumas vezes se senta nesses lugares e fica olhando para o teto, rosnando, eu costumo até mesmo brincar com a minha mulher algumas vezes perguntando se ela pode ver esses fantasmas no nosso teto, ela fica toda assustada e me pergunta se estou falando sério e eu respondo, “ué, pode estar lá, nós só não podemos vê-los”. Eu sei que existem coisas aqui, é como se eu tivesse meu próprio fantasma de família particular (Family Ghost).

Existem boatos sobre o nome Melissa, da onde você realmente tirou esse nome?
Melissa era o nome de um crânio que eu ganhei. Eu não sei porque eu tive que dar um nome para ele, mas foi esse nome que eu dei. Ele tinha essa marca imensa na testa, bem profunda, onde ele tinha sofrido uma batida tão forte, que você podia ver onde ele havia quebrado e se regenerado! Obviamente a pessoa sobreviveu ao golpe e me peguei imaginando o que havia acontecido com essa pessoa, como ela levou essa porrada e o que aconteceu com ela depois? Então eu inventei algo para mim mesmo e coloquei na letra da música.

Depois de seus múltiplos infartos em 2010, você passou por uma cirurgia muito delicada no coração que o forçou a mudar uma série de hábitos. Muita gente desacreditou que você iria retornar com a mesma qualidade vocal de antes, mas você voltou ainda melhor!
Essa é a melhor época para se ver e ouvir o King Diamond, a banda é a melhor que poderíamos ter e o show é fantástico! Tudo será levado para São Paulo, todos os equipamentos e palco que foram usados nos EUA e na Europa, então vocês terão uma experiência totalmente inesquecível! Isso eu posso te garantir e é muito legal de se ver, as diferentes gerações de pessoas vindo aos shows. A última vez que estive no Brasil boa parte do público de metal de hoje não havia nascido, ou eram jovens demais para entrar em show de grande porte. Eu vejo isso na tour, o número de pessoas jovens aumentando e o público se renovando, todos eles terão a melhor versão de mim agora.

Existem muitas pessoas que o tem como referência na literatura de horror, mesmo você nunca tendo publicado um romance ou um conto. Você se vê escrevendo um romance?
Mas é claro que sim, aqui está outra coisa engraçada que envolve minha esposa: ela me enganou um dia, me mostrando dois capítulos de Abigail escritos em formato de romance e quando eu comecei a ler, era fantástico! Ela me disse que um dos meus fãs havia enviado isso a ela, então eu disse a pedi para localizar essa pessoa para que pudéssemos trabalhar juntos nisso afinal, eu sei todos os rumos que a história pode ou não tomar, o clima, todas as coisas que aconteceram na mansão, junto com um autor poderíamos desenvolver todo um romance.

Ao final ela confessou que ela mesma havia escrito aqueles capítulos e isso me deixou muito feliz! Com certeza está nos nossos planos escrevermos algo do tipo juntos. Acho que isso não aconteceu ainda somente pela minha falta de tempo, mas acho que vocês podem esperar algo assim vindo por aí nos próximos anos. Abigail, Conspiracy, Puppet Master, eu gostaria muito de fazê-los. Esse também é um meio de que alguém da indústria do cinema se interesse nessas histórias, eles não conseguem ignorar um livro de sucesso e isso seria grandioso.

Como fã de horror, não consigo me lembrar de ninguém antes do King Diamond a fazer um disco conceitual de horror.
Sim, outras bandas haviam feito discos conceituais antes, mas não discos de horror, isso é um dos fatores que tornam Abigail tão especial. Este tipo de música e esse estilo literário colocados juntos realmente criou algo único e provavelmente é por isso que o fez ser tão forte quando você o escuta pela primeira vez. Eu encontrei, logo antes de entrarmos em turnê nos EUA em 2015, uma cópia lacrada da primeira prensagem do Abigail, eu a abri e coloquei na vitrola, até hoje a produção desse disco é algo que me deixa feliz! O som é um absurdo, é assustador, mesmo com toda a tecnologia que temos hoje, farei de tudo para que o nosso próximo disco seja realmente fiel ao som e produção que tivemos com o Abigail, porque é incrível, estamos até trabalhando para relançar desse disco sem a remasterização que foi feita quando ele saiu em CD.

Quais são seus autores de horror preferidos e como eles influenciam na hora de compor um disco?
Bom, infelizmente eu não tenho tido tempo de ler um livro já há algum tempo. Mas vou te dar um exemplo prático sobre minha forma de compor. Veja o Puppet Master por exemplo, eu não lia livros naquela época, acho que por falta de tempo principalmente, esse disco foi inspirado simplesmente por eu estar na Hungria, e por ter visto as pessoas que fabricam fantoches de fato.

Nós estávamos lá em 1999 com o Mercyful Fate, fazendo uma turnê com o Metallica, e fomos tocar em Budapeste. Tivemos um domingo de folga e enquanto andávamos pela cidade, todas as lojas estavam fechadas, então nós fomos para uma parte mais velha de Budapeste e lá eles tem algumas vielas bem estreitas. De repente nos deparamos com uma área que estava cheia de marionetes, era bem mal iluminada, mas ainda assim você podia ver todas essas marionetes penduradas pelas paredes. Era algo bem sinistro, mesmo no meio do dia, então nós andamos um pouco mais até nos depararmos com uma espécie de entrada para um quintal dos fundos, onde ficava o Teatro Nacional de Fantoches, que diabos é isso? Quando eu penso em um teatro de fantoches, vem a minha cabeça duas pessoas em um barraquinha com os fantoches nas mãos. Mas esse era um teatro real, com fantoches do tamanho de pessoas! Quando eu voltei para o hotel naquela noite comecei a imaginar algo como um teatro onde um titereiro ficaria  em cima do teto, controlando esses marionetes gigantes e talvez alguns deles pudessem vir a vida através de bruxaria ou algo assim e a história se desenvolveu deste ponto.

Então é assim que nasce uma história do King Diamond, obviamente meu modo de pensar foi influenciado por meus autores favoritos de antigamente, poderia citar alguns como um autor inglês chamado James Herbert, ele me deu alguns pesadelos e definitivamente é o meu favorito, Stephen King, aliás quem não gosta dele? H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, eles são clássicos!

O que você pensa da influência que você exerceu nas bandas de black metal norueguesas? Você vê essa influência como algo real?
Sim, eu vejo isso e me sinto honrado. Pessoalmente fui muito influenciado por Led Zeppelin, mas eu não queria soar como eles. Eu queria comprar uma guitarra e fazer aquele som, coisas como Dazed and Confused. Eu também fui influenciado pelo Alice Cooper e Peter Gabriel eu os vi ao vivo em 72 e o meu show é muito inspirado no que eu vi naquela noite. Vocalmente falando, meu vocalista preferido é o David Byron do Uriah Heep. Então eu fui influenciado por todas essas coisas, mas eu ainda sou eu mesmo, eu me esforcei para ser eu mesmo, é isso que você pode ver também nas bandas de black metal norueguesas, elas não são nem de longe cópias minhas, são uma versão do que eu faço, e ser inspiração para elas é uma grande honra.

Veja bem, isso não é apenas uma imagem para mim e espero que não seja para elas também, pois eu realmente sigo e vivo a filosofia de Anton Szandor LaVey (fundador da Igreja de Satã), eu já fui até sua igreja e passei uma noite toda lá, sou amigo de suas duas filhas, eu inclusive as encontrei na minha última passagem por São Francisco – CA, nós saímos para jantar depois do show, eu, elas, minha esposa e dois seguranças fomos para o restaurante favorito de Anton LaVey, onde ele costumava ir tarde da noite, e isso foi muito interessante, pude sentar e comer onde ele comeu.

Muito obrigado pela entrevista, King!
Muito obrigado por seu tempo! Nos vemos em São Paulo e preparem-se para um espetáculo totalmente fantástico!

Sobre os Autores

Julio Feriato: Formado em Letras, sempre almejou ser jornalista especializado em música. Para suprir tal anseio, editou nos anos 90 o fanzine “Shadows” e foi um dos principais colaboradores do site “Metal Attack” em meados dos anos 2000.

Maurício Gaia Fernanda Lira: Começou ouvir heavy metal por influência de seus pais e cursou Jornalismo na Faculdade Cásper Libero, em São Paulo. Além do Heavy Nation, Fernanda também é baixista e vocalista da banda thrash metal Nervosa.

Sobre o Blog

Heavy Nation é um programa da Rádio UOL especializado em heavy metal. O programa nasceu da necessidade de divulgar bandas independentes, que não encontram espaço na grande mídia, e também traz clássicos do estilo. No blog Heavy Nation, você encontra matérias e entrevistas que não tem espaço no programa, mas que são chamativas tanto para os headbangers quanto ao público que não acompanha a cena atentamente.

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