Blog Heavy Nation

Violator faz discurso anti-Bolsonaro em show de São Paulo e reforça postura contra o autoritarismo

Fernanda Lira

O texto representa opinião do autor, não do Heavy Nation ou dos editores

Violator (8)

Por Daniel Pacheco / Fotos: Bajul Marota

A chuva que insistiu em cair naquela tarde de sábado não impediu que hordas de pessoas de preto comparecessem ao Clash Club para assistir ao Violator, pois chegando à rua do clube já era possível ver dezenas de headbangers lotando os bares e barraquinhas da região.

Por volta das 17:00, a Clash já contava com uma grande quantidade de público, o que impressiona, pois esse era um evento totalmente DIY (do it yourself), ou seja, sem nenhuma grande promoção, sem nenhuma banda estrangeira,  e, o mais importante, somente a divulgação boca-a-boca, o que por si só já demostrava a popularidade esmagadora e merecida atingida pelo Violator. Era possível ver diversas pessoas apoiando as bandas presentes, comprando material das mesmas nas bancas espalhadas pelo saguão, mostrando o quanto esse público ainda acredita em pequenas bandas que formam nosso underground.

Armadilha (2)

A primeira banda a tocar foi o Armadilha, que faz um speed metal bem calcado nas bandas brasileiras do estilo dos anos 80 e já agitava enquanto os presentes iam aquecendo os motores e confraternizando.

damyoouth

Na sequência subia ao palco o Damn Youth direto do Ceará. O show dos caras é energia pura, um thrash/crossover extremamente rápido, chegando a lembrar em muitos momentos o próprio Violator. O público respondeu muito bem ao dar inicio a roda de moshpit que não se fechou até a Clash baixar as portas!

der

Mais um pequeno intervalo, e o número de pessoas na casa continua a aumentar, tornando difícil até mesmo a circulação dos presentes. Subia então o D.E.R. banda veterana da cena paulista de grindcore. O som dos caras é visceral, grind direto, reto e sem frescuras e a presença de palco do vocalista (Thiago Nascimento) é hipnotizante, difícil achar alguém no público que não estivesse com os olhos voltados para o palco! Mesmo sendo um estilo que não agrada a todos, a banda pareceu ter elevado o nível de adrenalina do mosh pit ao teto da casa. Com certeza quebrou preconceitos e converteu muitos presentes a fúria do grind!

Cemitério (11)

A atração seguinte, Cemitério, é uma banda que tem chamado uma atenção absurda, com o lançamento do novo EP, “Oãxiac Odéz”, que homenageia a vida e obra do Zé do Caixão e também pelo instrumental absurdamente trabalhado e calcado na velha escola do Death Metal. Subia ao palco então Henrique Perestrelo (G), Rodrigo Costa(G), Douglas Gatuso(B) e Pedro (D) músicos de apoio do compositor (e também único músico a gravar em estúdio) Hugo Golon (V).

De cara mandam a intro “Olhos da Morte” e na sequência o som “Tara Diabólica”. Sem deixar espaço para respirar já é emendado o clássico instantâneo “A Volta dos Mortos Vivos” e o mosh se torna um turbilhão de pessoas se debatendo enquanto a banda continua a porradaria. O entrosamento entre Henrique e Rodrigo é algo fora do normal, executando cada riff intricado com uma simetria admirável. Infelizmente no começo do set o amplificador de Henrique começa a apresentar algumas falhas que foram resolvidas ao decorrer da apresentação, mas nada que tirasse o brilho do espetáculo que foi encerrado com a mais pedida durante todo o show: “A Vingança de Cropsy”.

Violator (6)

Hora de acalmar um pouco os ânimos? Nem pensar, em menos de dez minutos de intervalo o Violator já começou a tocar “Death Descends Upon This World”, a música instrumental que abre o seu último disco “Scenarios Of Brutality”. E foi nisso mesmo que a casa se transformou, um cenário de brutalidade total! A todo segundo uma pessoa se lançava do palco. Infelizmente o problema do amplificador que foi iniciado no show do Cemitério persistiu, e antes de terminar a primeira música, o Violator precisou parar por alguns minutos. Pedro Poney (B/V) sempre bem humorado ainda comentou “Tentamos ser profissionais, mas não tem como, isso sempre acontece” arrancando risos de todos.

Amplificador arrumado, e o massacre continua com a clássica “Attomic Nightmare” e “Endless Tyranies”. Antes de começar a próxima música, Poney chama atenção para o sombrio momento politico que vivemos, onde um parlamentar pode ir a câmera e homenagear um torturador da ditadura e ainda ser aplaudido. O público em uníssono começa a cantar “Hey Bolsonaro, vai tomar no cú” e ao som do coro do público é iniciada a inédita “False Messiah”.

O show segue com uma fúria animal e a banda dispara um clássico após o outro, “Toxic Death”, “Echoes of Silence”, “Futurephobia” entre outras. Antes de executarem a música “Destined to Die”, Poney brinca mais uma vez com a plateia, dizendo que o próximo som foi feito para que os espectadores “batessem o pentagrama” e demonstra uma especie de dança tr00 muito engraçada.

O Violator sai do palco ovacionado e demostrando todo o poder que uma banda underground pode ter, desde que siga e viva o que prega em suas músicas, mesmo sem ter nenhum apoio de uma mídia mainstream. A humildade dos caras também é algo digno de nota, assistiram todos os outros shows do meio público, sempre atendendo a todos os presentes com sorrisos estampados e disposição.

Uma coisa importante de se pontuar foram alguns ‘abusos’ que presenciei por parte de umas poucas pessoas da plateia. Não importa o quanto você esteja empolgado ou com o sangue quente durante o mosh pit, tente sempre respeitar os amigos que ali estão com você, este não é o lugar de dar porrada, exibir seus conhecimentos de jiu-jitsu ou de abusar de garotas que estão ali para se divertir, infelizmente muitos casos foram vistos e relatados destes abusos.

De qualquer modo, não posso deixar de elogiar a excelente produção. As músicas que rolaram nos intervalos eram totalmente condizentes com as bandas que ali tocavam, os intervalos entre uma banda e outra eram extremamente rápidos e os horários foram bem respeitados; resultando em um evento que acabou cedo e possibilitou que todos ainda utilizassem o transporte público para voltar para casa. Além disso, todos os alimentos arrecadados neste show foram encaminhados ao MSTS (não confundir com MST!).

Que venham mais!

Setlist Cemitério
Intro – Olhos da Morte
Tara Diabólica
A Volta dos Mortos Vivos
Quadrilha de Sádicos
Sexta-feira 13
Oãxiac Odéz
Ela Voltou (Pra Levar a Sua alma)
Encarnou no Seu Cadáver
Damien (Taurus)
A Última Casa à Esquerda
O Dia de Satã
A Sentinela dos Malditos
Natal Sangrento
Pague Para Entrar, Reze Para Sair
A Vingança de Cropsy

Setlist Violator
Death Descends Upon This World
Attomic Nightmare
Endless Tyrannies
False Messiah
Toxic Death
Echoes Of Silence
Respect Existence Or Expect Resistance
Infernal Rise
After Nuclear Devastation
Futurephobia
Ordered To Thrash
Destined To Die
UxFxTx

Sobre os Autores

Julio Feriato: Formado em Letras, sempre almejou ser jornalista especializado em música. Para suprir tal anseio, editou nos anos 90 o fanzine “Shadows” e foi um dos principais colaboradores do site “Metal Attack” em meados dos anos 2000.

Maurício Gaia Fernanda Lira: Começou ouvir heavy metal por influência de seus pais e cursou Jornalismo na Faculdade Cásper Libero, em São Paulo. Além do Heavy Nation, Fernanda também é baixista e vocalista da banda thrash metal Nervosa.

Sobre o Blog

Heavy Nation é um programa da Rádio UOL especializado em heavy metal. O programa nasceu da necessidade de divulgar bandas independentes, que não encontram espaço na grande mídia, e também traz clássicos do estilo. No blog Heavy Nation, você encontra matérias e entrevistas que não tem espaço no programa, mas que são chamativas tanto para os headbangers quanto ao público que não acompanha a cena atentamente.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Blogs - Heavy Nation
Topo